Lukie questiona falta de espaço para artistas moçambicanos em Angola e é criticada
A cantora Lukie, autora de sucessos como “Vão Falar”, “Não És Deus”, “Aceita Só” e “Não Vão Conseguir”, usou, recentemente, as suas redes sociais para manifestar descontentamento com a falta de oportunidades para artistas moçambicanos em Angola, apesar da forte presença de músicos angolanos em Moçambique.
Num vídeo publicado nas plataformas digitais, Lukie afirmou sentir-se triste e incomodada com a situação, defendendo que muitos artistas moçambicanos partilham do mesmo sentimento, embora nem todos tenham coragem de abordar o assunto publicamente. Segundo a artista, Moçambique sempre acolheu calorosamente os músicos angolanos, consumindo as suas músicas, enchendo espectáculos e promovendo os seus trabalhos nas rádios e televisões nacionais.
“Porquê que nós, artistas moçambicanos, também não podemos ter espaço em Angola?”, questionou Lukie durante o desabafo. A cantora apelou aos promotores, fazedores de eventos e artistas angolanos para criarem mais oportunidades de intercâmbio cultural, concertos, festivais e parcerias musicais com artistas moçambicanos. “Nós também queremos cantar aí, queremos estar nos vossos shows, queremos que as nossas músicas passem nas rádios e televisões”, afirmou.
A publicação rapidamente gerou debate nas redes sociais, com várias figuras ligadas à música e ao entretenimento a reagirem ao tema. O apresentador moçambicano André Manhiça considerou que a questão está ligada ao mercado e não apenas à boa vontade. “Isso é negócio. Não é por pena nem obrigatório. Um produto deve gerar interesse do público para que um promotor veja possibilidade de lucro”, comentou.
Já o promotor de eventos Dinho Puro, conhecido por trazer artistas angolanos para Moçambique, defendeu que o problema é mais estrutural e começa dentro do próprio país. “A música não tem fronteiras. O problema está aqui na nossa casa. Precisamos nos estruturar”, escreveu, acrescentando que a mudança passa por transformação de mentalidade, investimento e organização da indústria musical moçambicana.
As declarações de Lukie reacenderam uma discussão antiga sobre o intercâmbio artístico entre Moçambique e Angola, sobretudo no que diz respeito à circulação de músicos, promoção mediática e oportunidades de actuação entre os dois mercados lusófonos.











