Professor Lay e Rey Anaconda saem em defesa de Lukie e criticam postura de Denny OG e Doppaz

Por: Leodecio Zacarias
A polémica em torno das declarações Lukie sobre a alegada desigualdade em termos de oportunidades e promoção entre artistas moçambicanos e angolanos continua a gerar reacções no seio da classe artística nacional. Desta vez, os músicos Professor Lay e Rey Anaconda manifestaram-se publicamente em defesa da cantora, criticando a forma como Denny Og e o King Doppaz responderam ao posicionamento da jovem artista natural da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
As declarações foram feitas nesta quarta-feira (27/05) durante uma participação no programa televisivo Batidas, da TV Sucesso, espaço dedicado à promoção da música e cultura moçambicanas.
Professor Lay, um dos nomes mais influentes da música nacional, afirmou ter ficado desapontado com a postura adoptada por Denny-og e o King Doppaz. Segundo o artista, ambos, pela experiência acumulada na carreira e pela posição que ocupam no panorama musical moçambicano, deveriam ter assumido uma postura mais pedagógica e conciliadora.
“Fiquei muito triste com as abordagens do Denny-og e do King Doppaz. Na qualidade de mais velhos, tanto na música como na idade, era esperado que aconselhassem a Lukie de forma amigável. Ela é uma cantora nova e ainda precisa de muito acompanhamento, conselhos e apoio”. Afirmou o astro.
Para Professor Lay, embora as opiniões sobre o assunto possam divergir, a forma como os dois músicos reagiram acabou por transmitir uma mensagem de ataque pessoal, em vez de contribuir para o crescimento artístico da cantora.
No entender de Professor Lay as declarações de Lukie não se referiam aos artistas da geração de Denny-og, mas aos músicos mais jovens que procuram expandir a suas obras além-fronteiras.
“Quando a Lukie disse nós artistas não se referia aos artistas da geração do Denny-og, mas sim, nós artistas da nova geração. Hoje a nossa preocupação deveria ser perceber por que razão a música moçambicana continua a enfrentar dificuldades para ser consumida lá fora, em vez de nos atacar” – concluiu.
No mesmo programa, o cantor e compositor Rei Anaconda, artista com bastante influência no panorama musical da província de Nampula, demonstrou apoio às declarações de Lukie, considerando legítima a reivindicação da igualdade de oportunidades e promoção entre músicos moçambicanos e estrangeiros destacando os angolanos.
“Todos nós queremos ter o mesmo tratamento que os artistas estrangeiros recebem no nosso país. O que ela disse é uma realidade que muitos artistas sentem” – declarou.
Rei Anaconda, também criticou ainda a forma como Denny-og e o King Doppaz se pronunciaram sobre o caso, defendendo que era possível discordar sem recorrer a comentários entendidos por parte da opinião pública como ofensivos.
Na ocasião, o Rei Anaconda alertou sobre possível existência da divisão interna da indústria musical moçambicana, motivada por preconceitos regionais, facto que na sua visão contribui para a desvalorização de artistas que procuram oportunidades fora das suas zonas de origem.
As intervenções de Professor Lay e Rei Anaconda surgem depois de Denny-og e o King Doppaz terem contestado publicamente as declarações de Lukie.
Enquanto Denny-og defendeu que os artistas moçambicanos não devem “mendigar” espaço em Angola e que o sucesso depende da procura do mercado, o King Doppaz classificou a posição da Lukie como inadequada, apesar de reconhecer a existência de diferenças na valorização entre artistas nacionais e estrangeiros.
A controvérsia continua a alimentar o debate sobre o intercâmbio cultural entre Moçambique e Angola, bem como sobre os desafios da internacionalização da música moçambicana, tema que volta a ganhar destaque entre artistas, promotores e agentes culturais, depois de vários debates realizados.










