Embroidered Emotions une Moçambique e Ilha Reunião
Unir a pintura feita na atmosfera zen aos bordados é o que se propõe na residência artística, que culminará num fashion show intitulado Embroidered Emotions (Emoções Bordadas), no Centro Cultural Sabura, em Maputo, no dia 15 de julho de 2026, às 18h00.
A proposta estabelece uma ponte entre Moçambique e a Ilha da Reunião, por via da colaboração entre Regiis (Moçambique) e Sylvie Rimlinger (Ilha da Reunião), financiada pela Comissão do Oceano Índico (COI), promovendo o diálogo entre pintura, bordado, moda e inclusão social através da arte.
Com efeito, durante a residência artística, será realizado um workshop de dois dias dedicado às emoções das mulheres, reunindo 15 participantes, entre estudantes e mulheres pertencentes a grupos em situação de maior vulnerabilidade, incluindo mulheres com albinismo, mulheres surdas e mulheres trans.
Num espaço de escuta, partilha e criação, as participantes serão convidadas a transformar as suas emoções, memórias e vivências em arte. Na sequência dos 15 dias de residência em Maputo, a mesma continuará na Ilha Reunião, no espaço da Associação Kol-Kol.
Regiis é autodidata, em início de carreira, e encontra na pintura, reciclagem, na composição e na conjugação de formas abstratas a expressão mais profunda de si. A sua sensibilidade com as cores constitui a raiz da sua prática artística.
Recorrendo à criação como forma de reencontro consigo mesma, alia-se simultaneamente à meditação zen, fazendo do corpo um veículo de transmissão de energias, no florescer de auras e portais espirituais.
É neste sentido que as suas obras resultam de experiências genuínas. Com experiência no corporate e em gestão de projetos, sendo engenheira informática, a artista expressa a presença da mulher nesses espaços, propondo a emancipação como horizonte de liberdade.
Por sua vez, Vie464 (SylVie Rimlinger), artista multidisciplinar, trabalha com colagem, desenho, pintura e linogravura, entre outras técnicas. Refere que o seu trabalho é inspirado na dinâmica intrínseca entre fragmentação e organização.
A sua busca, segundo o seu próprio portal, é por uma jornada consciente que a conduza a uma autonomia plena e feliz, expressando-se através de diversos projetos, num portfólio marcado por múltiplas séries.
Este projecto co-criado pelas artistas envolvidas abre uma reflexão sobre o Oceano Índico como espaço de ligação entre territórios, lembrando que a Ilha da Reunião, enquanto território insular, possui uma história marcada por movimentos migratórios e processos coloniais.
Neste contexto, e ao longo da história do Oceano Índico, registam-se fluxos entre diferentes territórios ligados por dinâmicas coloniais e económicas, incluindo a circulação de pessoas entre ilhas e regiões costeiras, num negócio liderado por franceses e portugueses.
Esta colaboração artística convoca memórias históricas frequentemente silenciadas, evidenciando uma proximidade que ultrapassa a geografia e se manifesta em práticas culturais, instrumentos musicais e outras formas de expressão partilhadas.
Aliás, este projeto inscreve-se numa série de movimentos de cooperação cultural já em curso há vários anos, impulsionados por agentes do sector cultural. Neste âmbito, no dia 2 de junho de 2022, os municípios de Maputo e Saint-Pierre (Ilha da Reunião) assinaram um acordo de cooperação.
Do mesmo modo, o Centro Cultural Franco-Moçambicano, o Museu Mafalala, o Kinani e o Azgo têm vindo a desenvolver colaborações crescentes deste tipo, destacando-se, neste caso, a particularidade de se tratar de uma iniciativa de uma artista emergente e independente.
Esta atividade é apoiada pela Comissão do Oceano Índico (COI), no âmbito do projeto Embroidered Emotions, financiado pela União Europeia. Refira-se que a Comissão do Oceano Índico (COI) é uma organização de cooperação regional composta por 5 estados insulares (União das Comores, França (Reunião), Madagascar, Maurício e Seicheles). A COI trabalha para o desenvolvimento sustentável da região do Sudoestedo Oceano Índico, a Oceania Indo-Saxônica.




