Maputo Fast Forward reforça parcerias regionais através de participação estratégica em Joanesburgo
Em Abril de 2026, o Maputo Fast Forward (MFF) deu um passo decisivo na afirmação de Maputo, e de Moçambique, como um pólo emergente na economia criativa digital e imersiva em África. Através da sua participação em uma série de encontros estratégicos em Joanesburgo, o MFF posicionou-se num espaço privilegiado de diálogo, colaboração e construção de novas oportunidades com alguns dos principais actores do sector das Indústrias Culturais e Criativas, a nível regional e internacional.

Entre os momentos-chave, destaca-se a participação no workshop executivo Immersive Africa: The Business of African Immersive Content, organizado pela Spaces of Culture no âmbito da rede EUNIC (EU National Institutes for Culture), realizado no Tshimologong Digital Innovation Precinct, que contou com um painel de discussão sobre a produção e distribuição da experiência imersiva Kancìcá – com a participação especial da Liz Gomis, fundadora-directora da MansA (Maison des Mondes Africains) e do Michaël Swierczynski, co-fundador e produtor executivo da Dream Feel Factory. Este encontro reuniu um grupo restrito de participantes que incluiu decisores das indústrias criativas, instituições culturais, entidades de financiamento, bem como artistas, criadores e profissionais que actuam directamente no desenvolvimento de conteúdos imersivos, promovendo um espaço de diálogo multidisciplinar orientado para a construção de modelos sustentáveis de produção e distribuição de conteúdos imersivos africanos.

As discussões centraram-se na necessidade urgente de desenvolver modelos sustentáveis e replicáveis para a produção e distribuição internacional de conteúdos imersivos africanos. Num momento em que o continente já demonstra uma forte capacidade criativa neste domínio, mas ainda enfrenta limitações ao nível da infraestrutura, financiamento e circulação internacional, o workshop destacou o papel crucial da colaboração entre produtores, instituições e investidores. A participação do MFF neste espaço permitiu um envolvimento directo com estas dinâmicas, reforçando a sua integração em redes que estão a definir o futuro da narrativa imersiva em África.

Esta experiência foi aprofundada com a presença na estreia de Kancìcá, na África do Sul, apresentada no Wits Anglo American Digital Dome. Co-produzida pela MansA e pela Dream Feel Factory, esta obra constitui um exemplo marcante do potencial artístico e técnico da produção imersiva africana. A experiência no digital dome — um ambiente de projecção a 360 graus que envolve totalmente o espectador — ofereceu uma visão concreta das possibilidades futuras de distribuição e apresentação de conteúdos, tanto no contexto cultural como educativo.

Paralelamente a este evento, o MFF participou num workshop fechado dedicado ao desenho de um hub criativo digital em Moçambique, inserido numa colaboração contínua entre a 16Neto e o Tshimologong Digital Innovation Precinct. Este processo, iniciado em 2025 e apoiado pela Embaixada de França, visa desenvolver um modelo sustentável para o crescimento das indústrias criativas digitais no país. A participação do MFF neste segundo workshop reforça não só o seu papel activo neste percurso, como também o compromisso com a construção de capacidades locais, o desenvolvimento de talento e a criação de novas oportunidades económicas.

Ao longo desta deslocação, o MFF aproveitou ainda para realizar encontros estratégicos com parceiros e stakeholders, dando continuidade ao desenvolvimento do seu festival e explorando novas possibilidades de colaboração. Estes momentos, muitas vezes informais mas altamente relevantes, são fundamentais para consolidar relações e abrir portas a projectos futuros, especialmente no contexto da cooperação entre Moçambique e África do Sul.
No seu conjunto, esta presença em Joanesburgo revelou uma abordagem clara e intencional: mais do que participar em eventos, o Maputo Fast Forward está a posicionar-se como um agente activo na construção de um ecossistema criativo regional, ligando talento, conhecimento, infraestrutura e oportunidades de mercado. Ao integrar espaços de decisão, experimentar novas formas de produção e distribuição, e investir em parcerias estratégicas, o MFF contribui para afirmar Maputo como um ponto relevante no mapa da inovação criativa africana.

Num momento em que as indústrias culturais e criativas atravessam uma transformação acelerada, impulsionada pelas tecnologias digitais e pelas novas formas de consumo, iniciativas como o Maputo Fast Forward assumem um papel essencial na construção de pontes entre contextos locais e dinâmicas globais. Este percurso em Joanesburgo representa, não apenas uma etapa, mas um sinal claro de ambição e de compromisso com o futuro das narrativas africanas.
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