Fauziya Fliege expõe “Persistent gifts” no Ghana com foco na maternidade

A artista plástica moçambicana Fauziya Fliege inaugurou, na última quinta-feira (30), a exposição “Persistent gifts” (Dádivas persistentes), uma mostra que coloca a maternidade no centro da sua narrativa artística. A exposição está patente no Museu Limbo, localizado na Universidade de Ghana, no Ghana.
Composta por 20 obras, a exposição explora o percurso gestacional da mulher, assumido como eixo estruturante da criação. Através de telas em acrílico de diferentes dimensões, Fliege constrói uma abordagem sensível e afirmativa da maternidade, revelando as suas múltiplas camadas, transformações e complexidades. As cores vibrantes, marca recorrente no trabalho da artista, evocam referências à africanidade, funcionando como símbolos de identidade, energia e força.
De acordo com a curadoria, “Persistent gifts” propõe uma reflexão sobre uma fase íntima e pouco explorada: o “corte do cordão umbilical psicológico”. Pela primeira vez, a artista coloca em diálogo dois estilos distintos, obras abstractas, com traços longos e fluidos que evocam memórias da maternidade inicial, e peças figurativas que captam a clareza da identidade presente, marcada também pela sua ligação à herança ganesa.

O conjunto das obras traça um percurso completo da maternidade, desde a concepção ao nascimento, passando pelo cuidado e culminando na separação simbólica entre mãe e filho. A exposição oferece, assim, um testemunho íntimo e universal sobre o processo de tornar-se mãe, ser mãe e, por fim, libertar um filho para o mundo.
Para além das visitas livres, estão programadas sessões guiadas ao longo do mês de Maio, com encontros agendados para os dias 8, 16, 23 e 29, proporcionando diferentes momentos de mediação cultural antes do encerramento oficial, previsto para o dia 30.
O Museu Limbo é uma nova instituição dedicada à arquitectura, arte e design na África Ocidental. Instalado num antigo complexo brutalista inacabado, o espaço desafia a ideia tradicional de ruína ao transformar estruturas abandonadas em centros vivos de criação contemporânea. O projecto é desenvolvido pela Limbo Accra, fundada por Dominique Petit-Frère e Emil Grip.














