Artistas defendem música como instrumento de promoção da paz em Cabo Delgado

Artistas da província de Cabo Delgado defendem que a música deve assumir um papel cada vez mais activo na promoção da paz, da coesão social e da sensibilização das comunidades afectadas pelo terrorismo e por outros desafios sociais que marcam a região.

A posição foi manifestada por músicos da cidade de Pemba, que consideram a arte uma ferramenta capaz de transmitir mensagens de esperança, união e respeito, contribuindo para a prevenção da violência e para o fortalecimento da convivência pacífica.

O cantor e compositor Rei Salomão afirmou que os artistas têm a responsabilidade de produzir músicas que incentivem valores positivos e despertem a consciência da sociedade.

“Todo artista tem um papel de fazer música que possa trazer a paz. Alguns falam de amor, outros falam da paz. Quando faço uma música falando da paz é para ajudar a sociedade a seguir aquilo que estamos a transmitir”, afirmou.

Segundo o músico, as canções também podem sensibilizar a população para problemas como o bullying, a violência e outras formas de abuso, incentivando a empatia e o respeito pelo próximo.

Por sua vez, o artista Neúsio Ibraimo destacou que a música desempenha igualmente uma função terapêutica, sobretudo para pessoas que enfrentam situações traumáticas provocadas pela violência.

“Como artistas temos um papel crucial de trazer amparo às pessoas. Às vezes as nossas músicas servem de terapia e isso acaba impactando positivamente na vida das pessoas”, referiu.

Para o músico, a música pode influenciar comportamentos e incentivar os cidadãos a abandonarem práticas negativas em favor de uma convivência harmoniosa.

Cristóvão Marilo, conhecido artisticamente como Boychirs, considera que a produção musical pode contribuir para contrariar influências negativas e reforçar a estabilidade social na província.

“Na nossa província temos a questão do terrorismo e a música desempenha um papel fundamental para trazer conteúdos que mudem a forma de pensar e agir das pessoas, mantendo a paz e a estabilidade”, afirmou.

O artista apelou ainda aos jovens para que permaneçam vigilantes e rejeitem qualquer tentativa de aliciamento para actos que comprometam a segurança da província.

“Devemos unir-nos e cultivar a paz todos os dias”, sublinhou.

Num contexto em que Cabo Delgado continua a enfrentar desafios relacionados com a segurança, os artistas defendem que a música pode complementar os esforços desenvolvidos pelas autoridades, organizações da sociedade civil e comunidades locais, promovendo a paz, a esperança e a reconstrução do tecido social através da cultura.

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