“Identidade, cultura e ser um bom anfitrião” – Paula Cristina Agostinho

Por: Paula Cristina Agostinho

É quase que uma regra, em momentos ou datas especiais, convívios com maior fluxo de pessoas conhecidas e desconhecidas, quando trata-se do banquete, a tendência é sempre preparar os melhores pratos que têm e sabem.

Os mesmos não são pratos “universais”, mas sempre são específicos de acordo com o local, a região, aquilo que têm como referência, e em segundo priorizam aqueles pratos que a maioria está habituada a ter e que seja de conhecimento de quase todos.

E notas que superaste quando no meio dos manjares surgem aquelas questões: “O que é isso? Como se faz isso? Como se come isso? Onde encontram isso”? Algo desconhecido sempre desperta curiosidade.

E quando forem a falar de ti um dia, não será pelas batatas fritas ou arroz refogado que tinha na festa, mas sim pela “xima estranha que tinha, pelo peixe sem espinhas que tinha, pelo tubérculo diferente que tinha, pela bebida natural daquela fruta que tinha e etc”, isso sim é marcante.

Para ti pode até não ser novidade, não achar um “uau” naquele momento, mas para quem chega e fica paralelo à isso, sempre verá como um “uauuuuuuu” (um “uau” bem grande mesmo).

O País é grande, enorme, por isso vem dividido em regiões, onde cada um de nós caiu aleatoriamente, (nós não escolhemos, os nossos pais não escolherem, nem os avós), é aquele capítulo da matemática, “probabilidades e o acaso”.

Estamos então naquela e nesta região, cresces e já consegues reconhecer que falas um certo idioma, uma certa língua. Cresces um pouco mais e tu sozinho, já consciente dos seus actos, vês a necessidade de procurar falar outras línguas, então o que tu fazes? Vais atrás, procuras aprender para saber. Os motivos? São vários e individuais.

Mas em simultâneo também te vês incluso em diferentes grupos de relações interpessoais: tens familiares em casa, colegas na escola, colegas no trabalho, e a população na rua (vendedores em mercados, passageiros nos autocarros), mas há quem já tenha saído à rua e notar pelo menos 5 minutos de silêncio? Nunca!

Sem querer, a nossa mente absorve muita coisa, a maioria é retida pela frequência e repetição; não saí das nossas cabeças, é como se fosse uma música onde no lugar de cantar, estamos a falar e a empregar certas palavras que ouvimos no nosso vocábulo (levadas de casa, escola, etc)..

O mesmo acontece com um português que vem ao Sul por exemplo e procura por pastéis de feijão. Nós vamos ficar tipo “What? Pastéis de what”? Então quando ele tenta desmitificar aquele conceito descobrimos que afinal de contas o tipo quer “badjias”! E no dia seguinte, vocês virão o mesmo tuga a pedir por umas badjias (naquele sotaque aí).

O mesmo pode acontecer com um machuabo que procura por micates em algures em Maputo, (se for a encontrar, tem muita sorte); mas a inclusão está a ser patente, já encontras lugares ou eventos específicos de “comida típica de…música típica de…”, por aí em diante.

Ninguém é obrigado a carregar toda a identidade da sua nação nas costas, não; isso é algo espontâneo, algo feito sem esforço nenhum, é algo que tu reconheces a sua importância e necessidade de fazê-lo, (tu representas uma certa coisa porque fazes parte da mesma).

Quanto mais a pessoa possuir conhecimento, melhor ainda! Não podemos ficar sempre a deriva, a borda do mar, molhando apenas os pés com aquele discurso “ah, mas para quê, porquê, não vejo necessidade, eu sou assim e prontos, não sei”…até porque não precisamos saber tudo, mas sim fazer de tudo para não ser o ignorante e o tolo da história!

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