King Levi fala do estágio da indústria da moda em Moçambique e dos principais desafios

King Levi fala do estágio da indústria da moda em Moçambique e dos principais desafios

- in Entrevistas, Moda, Notícias

King Levi fala de Moda em Moçambique

King Levi, influencer e CEO da Kld Agency, é uma das referências mais importantes no país quando se fala de “saber vestir” e da moda. Anualmente, organiza um dos melhores eventos de moda de Moçambique, designado “Fancy Fashion”.

Tomado em conta o seu conhecimento e a sua experiência no mundo da moda, o Moz Entretenimento entrou em contacto com King Levi para saber mais sobre o estágio da indústria da moda em Moçambique e dos principais desafios.

Levi começou por dizer que, infelizmente, em Moçambique ainda não dá para viver da moda, porque os moçambicanos ainda não valorizam o que é produzido localmente, não confiam na qualidade dos produtos nacionais e a indústria de moda não está organizada.

Segundo o influencer, durante muito tempo a indústria de moda em Moçambique foi dominada por um grupo de pessoas, que no final do dia nem se preocupam com a moda em si.

Por muito tempo só tivemos um único evento de moda, que é o “Mozambique Fashion Week“, por causa conta disso, há 05 anos, criámos Fancy Fashion Week, que era para dinamizar a indústria de moda em Moçambique, isto é, dar oportunidades a estilistas e modelos, assim como criar uma plataforma, onde o país não depende só de um evento de moda, e também dinamizar a indústria de moda em Moçambique.” – revelou Levi.

Falando sobre os desafios da indústria, Levi afirmou que vivemos num país que é dominado por um certo número pessoas, que até o próprio “Fancy Fashion Week” foi processado por uma agência, por usar o termo “Fashion Week” e vê isso como uma barreira para a nova geração, que tenta fazer a sua parte.

…mas é travada por essa pequena elite de pessoas, que não são moçambicanos, e deste forma tentam fazer com que a moda em Moçambique não desenvolva. Por conta dessa situação, tivemos que mudar de nome Fancy Fashion Week para Fancy International.” – revelou o King.

Quando foi questionado sobre o que acha que faz falta no país em comparação com os outros países, onde a moda está mais desenvolvida, o influencer respondeu alegando que Moçambique precisa diversificar: ter mais eventos, digitalizar e também precisa de uma indústria de têxtil, pois quando os estilistas precisam fazer um trabalho devem comprar tecidos de fora e os que estão disponíveis aqui são muitos caros.

Levi disse ainda que o país não está a formar pessoas, pois não há uma escola de moda/estilistas e, por isso, o seu maior sonho é criar uma escola de moda, porque todos temos que assumir o papel de desenvolver a indústria de moda em Moçambique.

Numa outra abordagem Levi, condenou os jovens por estarem a deixar isso na mão dos estrangeiros, que dormiram o país e não estão a deixar a indústria crescer, afirmando ainda que não vai permitir que isso aconteça, porque já criou o “Fancy“, que é um dos melhores eventos de moda do país.

Tomando em consideração a nova realidade que o mundo está viver, perguntámos ao influencer qual é o maior impacto da COVID-19 na moda e, por sua vez, respondeu dizendo que estamos em tempos muito difíceis, que agravam ainda mais a situação da moda em Moçambique, porque vivemos num período onde as pessoas estão a vestir menos, e antes os estilistas, modelos e artistas de moda, conseguiam fazer dinheiro através de eventos, shows, workshops e muitos mais, porém por causa da pandemia isso foi reduzindo e as pessoas já não estão a produzir como antes, deste modo fica mais difícil para os que tentam viver da moda:

Até mesmo no ano passado não conseguimos ter um grande número de pessoas presentes no Fancy e também a procura reduziu, porque as pessoas não procuram mais roupas para poder sair.” – concluiu King Levi.

Facebook Comments

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *