GranMah no CCFM: Música, calor e ecologia – uma perspectiva de Izidro Dimande

Por: Izidro Dimande

A banda GranMah esgotou a sala e o jardim, aqueceu a noite de sexta-feira, onde a temperatura ambiental rondava de início em 41ºC, esperando baixar durante a noite. Os GranMah souberam dar os parabéns de um ano cheio de cultura e arte no Centro Cultural Franco Moçambicano

Este sim, é considerado o evento de abertura. O tema “concerto sustentável”, abordou a questão do meio ambiente, como é usado e como deve ser preservado. A organização e os GranMah, propuseram-nos ouvir mensagens de amor e solidão, mensagens ditas na voz doce e suave da Regina dos Santos, naquela sua extensão de notas (a classificação vocal) em soprano. 

Passando para questões sociais, os nossos cortes frequentes de energia graças a EDM, uma música que inicia em meio a escuridão do palco e da sala grande. No palco passavam imagens referente a natureza, uma árvores artificial feita de garrafas diversas embelezava, no jardim foram colocados depósitos de lixo caracterizados, um objecto musical feito a base de garrafas e papel não era visitado pelos mais cépticos e conhecedores da matéria de reciclagem, nosso desejo estava no musical da banda, para um concerto sustentável, foca-se em assegurar uma postura consciente, responsável e que promova o desenvolvimento sustentável, garantindo a maximização do impacto positivo gerado e a mitigação dos impactos ambientais causados pela reunião de pessoas e o aumento do consumo em curto espaço de tempo. 

Foi este propósito, o concerto ensinou-nos a depositar o lixo em caixotes especiais para cada tipo de lixo, ensinamentos do género geram uma ideia negativa aos incautos, mas não, se forem espalhados em todos os eventos do Franco e de outras casas de arte do país, depois replicadas nas escolas públicas, nas instituições privadas e públicas, nos mercados, aliados a existência de depósitos específicos, com recolhas prontas, o cenário imundo nas nossas ruas, avenidas, campos de diversão, praia, reduzirão. Mas, mesmo com a oferta de uma bicicleta, fomos acometidos ao esquecimento das vasilhas na mesa, no encosto, esperando que o catador passasse por nós. Gente graúda em ver e ouvir e aplaudir um grande e épico espectáculo deixou-se ensurdecer na limpeza do seu espaço ocupado no lazer da noite quente.

Uma boa crítica deve basear suas análises em informações como o contexto em que a música foi criada, teoria musical e momentos históricos (in Camilo Rocha): quando a exaustão tomou conta dos presentes, os GranMah homenagearam Tiago Oliveira, falecido em dezembro na praia da Ponta de Ouro, vítima de acidente. Um silêncio ecoou sobre o brilho das luzes dos celulares, alterando as velas. 

O sorriso do Tiago patente no ecrã criou deslizes de lágrimas aos que em vida trocaram laços. Regina dos Santos senta-se para buscar do fundo, a força da mulher. Seus rapazes (como os chama) tocam sons de nostalgia. De embalar uma profunda dor e saudade que não volta mas. 

As músicas apresentadas são do repertório da banda – o estilo Dub Reggae Fusion (o Dub é um gênero de música electrônica que surgiu do reggae no final da década de 1960 e no início da década de 1970 e é comumente considerado um subgênero, embora tenha se desenvolvido para se estender além do escopo do reggae. E Reggae fusion é um gênero musical que mistura reggae ou dancehall com outros gêneros) caracteriza-os à actualiadade. 

E voltamos ao êxtase amoroso com 3 dias em 23 horas (tradução livre) título que leva a música apresentada. Esta música não ouvi em nenhuma plataforma digital, a banda à compôs e ensaiou em 3 dias, deixou-nos em apoteoses, foi épico, é soberba para o cenário musical nacional, uma música nova sem afinações de última hora, cantada com perfeição, é dicotômico, quando se vive do que se gosta, o resultado é a manifestação, um público em coro cantando o coro da música acabada de conhecer com cadência e com esperanças de voltarmos a ouvir no seu próximo disco ou espectáculo. Os GranMah são a banda para vencerem os títulos em 2024.

Os GranMah acreditam que mais do que uma forma de arte, a música é uma oportunidade para gerar impacto positivo. O objectivo desta iniciativa é transformar o amor pela música em acções concretas para um futuro mais verde e sustentável. Este concerto não será (era) apenas uma performance musical, mas uma plataforma de sensibilização, reduzindo o impacto ambiental e promovendo práticas ecologicamente responsáveis durante todo o evento (in comunicado de imprensa). Uma banda composta por seis integrantes deste a fundação desmistifica incertezas locais, de que as bandas não sobrevivem em Moçambique, são 15 anos e merecem um tema de estudo.

E, passadas as duas horas, retiram-se depois das saudações finais. O calor já havia molhado de tudo nos corpos em estatuetas móveis, os vários líquidos tomavam conta do organismo, havia algo a mais: um grito de bacela, chamava-os. Em alegria de adorações, a banda agrada-nos com mais 2 éxitos fora da lista colada de fronte da vocalista, no chão preto do palco. Foi simplesmente fantástico abrir a época musical com os GRANMAH, uma banda de garagem surgida em 2009.

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