De Manhiça para o Mundo: Sebastião Coana explica como como conseguiu vaga na Academia de Belas Artes da China 

Nascido no Posto Administrativo de 3 de Fevereiro, no distrito da Manhiça, o renomado artista plástico moçambicano, Sebastião Coana, tem um percurso inspirador que mostra que não há barreiras quando temos muitos sonhos e determinação.

Apaixonado pelas artes desde tenra idade, Sebastião Coana participou, recentemente, no MozPod – podcast do fotógrafo Chairman, onde falou sobre a sua história e contou como um jovem proveniente de uma família humilde conseguiu ir estudar em uma das maiores academias de belas artes do Mundo e tornou-se num artista de sucesso.

Coana contou que sempre soube que queria fazer uma formação em artes e, felizmente, aprendeu inglês e informática cedo no ensino secundário, e quando chegou na idade de frequentar o ensino superior, fez uma pesquisa sobre as maiores academias de belas artes do mundo e enviou emails a pedir bolsas de estudo, explicando que tinha talento, mas os seus pais não tinham condições para pagar a sua faculdade. Na época, o artista conta que foi admitido por uma universidade dos Estados Unidos da América, mas não teve como ir estudar porque demorou para fazer o teste de fluência em inglês.

Quando perdeu esta oportunidade, Sebastião Coana estava a organizar a sua primeira exposição individual na Casa da Cultura do Alto Maé, na cidade de Maputo, e enviou várias cartas de pedido de patrocínio e convites para empresas e instituições diplomáticas. O patrocínio não foi concedido, mas boa parte das pessoas apareceram para ver a exposição e algumas delas eram representantes da Embaixada da China em Moçambique, que depois compraram quadros do Coana e, durante uma conversa, ele revelou o seu sonho em ter uma formação e contou o episódio que havia acontecido com a universidade dos Estados Unidos da América. Depois daí, os representantes da Embaixada da China enviaram os seus quadros para a Academia Central de Belas Artes em Pequim, na China, e o artista enviou uma carta de manifestação de interesse a explicar porque merecia ser admitido e conseguiu.

Desta forma, em 2006, Coana viajou à China, onde se formou em Arquitetura pela Escola de Arquitetura da Academia Central de Belas Artes da China, em 2012, e fez Mestrado em Finanças Internacionais na Universidade de Negócios Internacionais e Economia. Ficou na China durante 10 anos, sendo que o primeiro ano foi dedicado à sua aprendizagem do Mandarim, língua de toda a sua formação superior.

Depois da formação, Coana voltou ao seu país e, hoje, é um dos maiores artistas plásticos do país e usa a sua arte para intervenções sociais, o que lhe fez conquistar uma condecoração com Medalha de Ouro na França, onde também expôs o seu trabalho no maior museu do mundo, o Louvre, em 2023.

  • 5185 Posts
  • 46 Comments
Fique informado sobre os famosos moçambicanos e tudo o que acontece no mundo de entretenimento em Moçambique.