Uma reportagem sobre o álbum “Djundava” de Duas Caras

Uma reportagem sobre o álbum “Djundava” de Duas Caras

- in Notícias, Opinião

Visto como uma das vozes colossais da música e do hip-hop moçambicano, Duas Caras, Kara Boss, Tio Duas e mais outros nomes artísticos, lançou no dia 19 de Dezembro, em Maputo, o seu álbum de originais intitulado “Djundava”.

“Djundava” não é mais um álbum, é o álbum mais esperado no hip-hop moçambicano quando a história do Duas Caras no game “confunde-se com a história do Rap Moz”, assim o diz na música “Kara Boss” e até então nenhum álbum a solo chegava aos fãs, promessas não faltaram, tanto que era suposto que o primeiro álbum carregasse consigo o nome “Tondje Mcee” e fosse lançado em 2012, Eps/Mixtapes foram lançados e nada do álbum. Até que 2020 chegasse!

É apresentação de uma nova narrativa e de uma nova cara do Tio Duas desconhecida dos holofotes e chega dentro de uma capa de cartolina bem leve e sensível para o que se espera do primeiro álbum de um King.

Demorou mas chegou, e para o TxioBullet, influencer digital e comediante, adquirir a obra é gratificante e sendo esta uma nova fase na carreira do rapper espera no escutar “boa coisa, o mesmo Duas, talvez mais maduro e mais profissionalismo”.

Tudo começa com a Intro da avó Bia e segue a faixa que dá nome ao álbum (Djundava), onde somos apresentados a nova cara do Duas, é que Djundava é o nome tradicional do rapper e por detrás da mesma tenta-se aqui deixar documentado mais uma parte da sua vida, e a narrativa não para por aqui, se nos tempos da G-Pro, grupo do qual fez parte, a auto congratulação era o prato forte, hoje, quase que caminhando sozinho no game, busca valorizar a vida buscando pela humildade aceitando as vitórias e perdas como quem se conforma e diz faz tudo parte do “Gueime”, seguindo com Kloro Killa (rapper) para uma estória sobre o destino. Se ontem o Kara Boss assumia que não há como chegar ao mel sem trepar as abelhas, hoje, deixa tudo ao destino revelando que são “Coisas de Tradição” e há coisas que por mais que se tente mudar pode ser impossível restando aceita-las.

E porque viver é também sobre amor e desamor, chama o Mark Exodus para falar para pita que terá conhecido nas andanças, que ainda não está pronto para coisas sérias, com ela apenas quer “Vaibar”, mas o tempo passa, e entre vaibes e não ao relacionamento sério a gente acaba se apaixonando pela/o dama/o, e acontece com o Duas que já noutros minutos chama Hernâni da Silva para com ele e ao lado de Mark Exodus revelar a dama que está pronto para cair em “Queda Livre” e ser feliz num ânimo de quem revela que acabou encontrando ali a mulher dos seus sonhos.

E nesta viagem pelo amor, está no álbum a dedicatória e felicitação à filha nascida no dia 12.07.12 num tom de perdão por certas atitudes, afirmando que um dia poderá entender o pai e as coisas da vida, uma canção que escreve para que fique claro o quão ela é especial e a ama.

E Rap não é somente sobre Auto congratulação e autobiografia, é também dar voz aos oprimidos, torna-se Djundava no primeiro álbum de hip-hop com uma faixa que olha para os momentos de “guerra” que tem marcado a província do norte do país, Cabo Delgado. Duas reserva neste álbum um som para dizer “Sou Cabo Delgado” como quem diz é preciso juntar-se a causa esquecendo-se as possíveis diferenças, pois, Cabo Delgado também é Moçambique.

https://www.youtube.com/watch?v=n5dB0x7pAFE

Dj Sidney Mavie, expoente máximo da GM Records, entidade que torna possível a saída do Djundava, conta que ter trabalhado com o Duas Caras é gratificante pelo nome que ele carrega e por ser o “primeiro artista lançando duas vezes na GM dos 56 artistas que já o fizeram”, observa recordando-nos “Duditos Way Ep” primeiro Cd que Duas lançou sob a chancela da GM.

E ao nosso gravador, Sidney ainda conta que foram produzidas nesta primeira fase 1000 cópias, e em termos de relação trabalho “devem saber que Duas Caras é muito exigente a um nível em que é preciso ser muito próximo dele para percebe-lo”, mas com tudo “foi uma experiência muito nice e diferente”.

São no total 9 faixas que num piscar dos olhos passam e percebe-se que o álbum já está na repetição, tal que Herneye, fã incondicional que se fez ao local para adquirir a sua cópia, esperava mais que isso, olhando para o tempo que ficou no banco de espera.

Faltaram talvez as famosas Bonus Track, não ficaria mal um “Põe um Like”, uma faixa de “Khanimambo” pela espera, era importante que se alcançasse o número 10 para fazer jus ao número que estampa na sua camisola do rap (camisola 10). E para o Herneye, o álbum devia ter tido “pelo menos umas 16 faixas”. Enfim, deixou-nos com sede.

Para o Hernâni da Silva, não houve muito a dizer, quando chegou para a assinatura da sua cópia, ficou claro o respeito mútuo e admiração reciproca, tal que em simultâneo “ajoelharam-se” e simularam a colocação da coroa do Rap moz ao outro, e para os fã(s) do Djundava não pode “deixar com que Hernâni lhe roube a coroa”.

Em termos de participações, chamou ao álbum a Eunice A Musa, Kloro Killa, Mark Exodus e Hernâni da Silva. Está em destaque o Exodus participando na faixa “Vaibar” e “Queda Livre”.

Na produção o destaque está para o Polegar Beatz, que produz quase que a metade do álbum como “Djundava”, “Gueime” ao lado de Dodo, Stélio Zowe & Muzila, “Coisas de Tradição” e “Cabo Delgado, seguindo Keyven & Badjo com “Vaibar”, Virgo em “12.07.12” e por fim o Keyven em “Queda Livre”.

Na Captação esteve Young Black Badame e ao mix & master Dj Bavy, membro da Sameblood Studio, e o design gráfico pelo Hildo Bazima.

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