Orlando da Conceição diz que música é ciência, não talento
O professor de música reformado considera que a formação académica é fundamental para elevar a qualidade da produção musical moçambicana, preservar o legado cultural e preparar os jovens para os desafios da indústria musical, incluindo o avanço da inteligência artificial.
O professor de música reformado Orlando da Conceição defende a introdução e o reforço da educação musical nos currículos escolares, desde o ensino primário, como forma de desenvolver as competências artísticas dos jovens e elevar a qualidade da música produzida em Moçambique.
Para o músico, a aprendizagem da música não deve depender apenas do talento individual, mas de um processo de formação que permita aos interessados adquirir conhecimentos científicos e técnicos sobre composição, interpretação e execução musical.
“Música é ciência, não talento”, afirmou Orlando da Conceição, ao defender que as escolas devem assumir um papel central na formação de futuros profissionais da área.
Na sua perspectiva, a ausência de formação musical contribui para a existência de artistas que conseguem cantar, mas não dominam os fundamentos da música, daí a necessidade de investir na educação musical para garantir que as novas gerações desenvolvam competências que lhes permitam produzir trabalhos de maior qualidade.
“Se a pessoa quer fazer música, vai estudar música. Leva tempo estar a aprender, mas tem que ir à escola”, sublinhou.
Por outro lado, Da Conceição afirma que a música moçambicana está a colher os frutos do investimento cultural realizado por gerações anteriores, incluindo durante o período da luta de libertação nacional, quando grupos culturais desempenharam um papel importante na promoção das artes.
“Os nossos músicos moçambicanos têm valor internacional. O que precisamos agora é expor-nos e ter o nosso lugar visível a nível internacional”, afirmou.
Na sua avaliação, o país dispõe de qualidade artística para competir nos mercados internacionais, mas precisa de investir na divulgação dos seus artistas e na criação de condições para que a música nacional alcance novos públicos.
O músico defende igualmente que a juventude deve ter acesso à formação artística, considerando que a presença da música nos espaços de aprendizagem é essencial para a descoberta e o desenvolvimento de novos talentos.
Questionado sobre o impacto da inteligência artificial na produção musical, Orlando da Conceição reconheceu que as novas tecnologias já fazem parte da realidade contemporânea, embora tenha defendido que a sua utilização deve contribuir para melhorar o trabalho dos artistas.
Apesar de se identificar como um músico de formação tradicional, o professor considera que a inteligência artificial pode ser aproveitada pelos profissionais da área, desde que utilizada de forma adequada.
“Se a inteligência artificial já está entre nós, se é para dar mais valor ao que está sendo feito, que seja usada”, declarou.
Ainda assim, entende que o recurso às novas tecnologias não deve substituir a aprendizagem dos fundamentos da música, porque o domínio das ferramentas tecnológicas deve ser acompanhado pelo conhecimento musical, de modo a garantir que os artistas compreendam aquilo que produzem.
Para Orlando da Conceição, a formação continua a ser indispensável, independentemente das transformações tecnológicas que estejam a ocorrer na indústria musical.
Para o professor, o desafio passa por garantir que as novas gerações não se limitem a interpretar canções, mas adquiram conhecimentos que lhes permitam compreender a música, criar com qualidade e representar Moçambique nos palcos nacionais e internacionais.
Por: Massunda Rivaldo





