Zambézia quer transformar identidade cultural em motor de desenvolvimento económico
Os fazedores das artes e cultura da província da Zambézia defendem maior valorização das manifestações culturais locais no Plano Estratégico da Cultura 2027–2036, com destaque para a gastronomia, a dança tradicional e os festivais. A posição foi apresentada durante uma auscultação nacional de dois dias, destinada a recolher contribuições para a definição das políticas culturais da próxima década.
O processo pretende garantir que as particularidades da identidade zambeziana sejam reflectidas no documento estratégico, reconhecendo a cultura não apenas como património a preservar, mas também como instrumento de promoção turística, criação de emprego e geração de rendimento para artistas, criadores e comunidades.
Durante o encontro, o governador da Zambézia, Pio Matos, apelou à participação activa dos agentes culturais na elaboração do plano, sublinhando a importância das suas contribuições para a construção de um instrumento ajustado à realidade da província.
“Não estamos nesta reunião como meros ouvintes, mas como actores importantes que possam contribuir para a construção de um instrumento que possa nortear o sector da cultura”, afirmou o governante.
Gastronomia e festivais na estratégia cultural
Entre as propostas apresentadas está a valorização da gastronomia zambeziana, com destaque para a mucapata e a galinha à zambeziana, consideradas referências da identidade culinária local. Os participantes defendem que estas especialidades sejam integradas nas estratégias de promoção turística e dinamização das indústrias culturais e criativas.
O director nacional das Artes e Cultura, Ivan Bonde, destacou igualmente a importância de incluir festivais e manifestações culturais no plano, de modo a criar oportunidades económicas para os agentes do sector.
“Precisamos que os nossos pratos, a nossa mucapata e o nosso caril de coco estejam também na componente de dinamização das indústrias culturais e criativas. Precisamos que festivais como Zalala constem neste plano estratégico”, afirmou.
Segundo o responsável, a valorização destas referências poderá contribuir para a geração de rendimento, a criação de postos de trabalho e a melhoria das condições de vida dos fazedores das artes e cultura.
Niketche e Zalala entre as referências culturais
A valorização do património cultural da Zambézia abrange também o Festival de Zalala e o Niketche, uma dança tradicional praticada na zona alta da província, caracterizada pela utilização de objectos de lata que produzem sons durante a apresentação.
Os participantes defendem que estas manifestações merecem maior divulgação e integração nas estratégias de promoção cultural e turística, criando oportunidades para os artistas e reforçando a transmissão das tradições às novas gerações.
Fazedores da cultura defendem medidas concretas
A auscultação pretende colocar os agentes culturais no centro da elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027–2036, permitindo que as prioridades definidas correspondam às necessidades de quem trabalha na criação, produção, divulgação e preservação das manifestações artísticas.
Entre os desafios apontados estão o acesso ao financiamento, a formação artística, a circulação de obras, a promoção de eventos e a protecção dos direitos dos criadores.
Para a Zambézia, a expectativa é que as contribuições recolhidas se traduzam em medidas concretas para valorizar a identidade cultural da província e fortalecer a ligação entre cultura, turismo e desenvolvimento económico.
O processo constitui uma oportunidade para consolidar uma visão em que a preservação das tradições caminhe a par da criação de condições para que artistas e comunidades beneficiem do potencial económico das suas manifestações culturais.
Fonte: Opais






