UEM atribui nome de Manuela Soeiro ao mini-teatro da ECA
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) atribuiu o nome de Manuela Soeiro ao mini-teatro da Escola de Comunicação e Artes (ECA), numa homenagem ao percurso de cerca de cinco décadas dedicadas ao teatro moçambicano, à formação de actores e à promoção das artes cénicas junto das comunidades.
Aos 81 anos, a actriz, dramaturga, encenadora e produtora cultural vê o seu nome associado a um espaço de formação de novas gerações de artistas, numa iniciativa que procura preservar o seu legado e destacar o papel do teatro na educação, na reflexão e no diálogo social.
Fundadora do grupo Mutumbela Gogo, Manuela Soeiro construiu uma carreira marcada pela criação e encenação de peças, pela formação de actores e pela descentralização das artes cénicas. Ao longo do seu percurso, promoveu iniciativas de teatro comunitário, contribuindo para a criação de grupos locais e para a aproximação das artes a comunidades com menor acesso a actividades culturais.
Durante a cerimónia, o reitor da UEM, Manuel Guilherme, afirmou que a atribuição do nome da artista ao espaço representa mais do que uma homenagem, constituindo um compromisso com a preservação da sua contribuição para a cultura nacional.
“Mais do que uma homenagem, é um compromisso de não deixar o seu legado cair no esquecimento”, declarou o reitor, defendendo igualmente a formação de jovens capazes de pensar, criar e questionar, à semelhança do percurso desenvolvido por Manuela Soeiro.
Por sua vez, Dadivo José, actor e docente de teatro na ECA, destacou a importância da experiência da homenageada para os estudantes, sobretudo pela utilização da expressão artística como instrumento de aproximação entre comunidades.
“Já aqui temos a inspiração de que os nossos estudantes precisam para perceber que realmente o teatro é uma ferramenta de estabelecimento de diálogo comunitário”, afirmou.
Visivelmente emocionada, Manuela Soeiro agradeceu o reconhecimento e partilhou o mérito com todos os que contribuíram para o desenvolvimento do teatro nacional.
“Fico muito grata, mas quero que se saiba que esta homenagem é para todos aqueles que acreditam que Moçambique tem um teatro que está, de facto, a desenvolver. É de todos aqueles que acreditaram que Moçambique era, de facto, um país que podia ter futuro no teatro”, declarou.
Com esta iniciativa, a UEM pretende manter viva a memória de uma das referências das artes cénicas moçambicanas e transformar o mini-teatro da ECA num espaço de inspiração para estudantes e futuros profissionais, dando continuidade ao legado de dedicação, criatividade e compromisso cultural construído por Manuela Soeiro.







