Prince Chone: O novo embaixador do jazz moçambicano que conquista palcos internacionais

Antes de partir para os Estados Unidos da América, Prince Chone já era apontado como um dos mais promissores saxofonistas da nova geração do jazz moçambicano. Hoje, quase quatro anos depois de se estabelecer em Baton Rouge, no Estado da Louisiana, a sua trajectória confirma essa expectativa e revela um artista que tem vindo a construir uma carreira internacional assente na excelência musical, no intercâmbio cultural e na valorização das sonoridades moçambicanas.

A ascensão de Prince Chone tem sido marcada por uma combinação de talento, disciplina e capacidade de dialogar com diferentes universos musicais. O jazzista iniciou o seu percurso profissional no MoreJazz Big Band, projecto liderado pelo consagrado saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça, uma escola de excelência que tem formado e projectado jovens instrumentistas nacionais. Foi nesse ambiente que consolidou as bases técnicas e artísticas que hoje sustentam uma carreira em constante expansão.

O crescimento do músico ganha agora um novo marco com a confirmação da sua participação como uma das figuras de cartaz do concerto que celebra os 40 anos de carreira de Jimmy Dludlu, um dos mais importantes guitarristas de jazz do continente africano. O espectáculo, agendado para os dias 24 e 25 de Julho, reunirá grandes nomes da música moçambicana e sul-africana, entre os quais Judite Suphuma, Stewart Sukuma, Xixel Langa e outros artistas que ajudaram a escrever a história do jazz e da fusion na região.

A presença de Prince Chone neste concerto representa muito mais do que uma participação artística. É o reconhecimento de uma nova geração de músicos moçambicanos que começa a ocupar espaços tradicionalmente reservados às grandes referências do género. Depois de ter iniciado o seu percurso sob a orientação de Moreira Chonguiça, o saxofonista vê agora o seu nome associado a Jimmy Dludlu, consolidando uma trajectória que evidencia a confiança depositada pelos maiores jazzistas moçambicanos no seu potencial artístico.

Actualmente radicado em Baton Rouge, na Louisiana, Prince Chone encontra-se no último semestre do curso de Marketing na Louisiana State University (LSU). A escolha daquela região não foi por acaso. Considerada um dos principais berços do jazz norte-americano, a Louisiana oferece ao músico um ambiente de intensa efervescência cultural, permitindo-lhe aprofundar a sua linguagem musical e estabelecer pontes entre as tradições africanas e norte-americanas.

Em paralelo com a sua formação académica, Prince Chone lidera a banda Auxblood, um projecto que explora sonoridades Alternative R&B e Indie Fusion e cujo primeiro álbum está previsto para 2026. O grupo tem vindo a afirmar-se na cena musical local, demonstrando a versatilidade criativa do músico moçambicano para além do universo do jazz.

Nos Estados Unidos, o saxofonista já participou no Louisiana Psych Fest 2026, considerado o maior festival de Indie Rock da cidade de Baton Rouge, ampliando ainda mais a sua visibilidade junto de novos públicos e circuitos musicais. Paralelamente, desempenha funções de director musical de artistas regionais como Wakai, Tahjir, Zahir e Jireh, além de participar em produções destinadas a artistas internacionais de grande projecção, cujos nomes deverão ser anunciados nos próximos meses.

Esta capacidade de transitar entre diferentes estilos musicais e diferentes mercados tem sido uma das principais características da sua carreira. O seu trabalho artístico une música, cinema, fotografia e outras expressões criativas, sempre preservando uma forte identidade moçambicana que se manifesta nas suas composições e interpretações.

Prince Chone conta já com um repertório consolidado de singles e projectos discográficos, entre os quais se destaca o álbum “The Prophecy”. As suas composições procuram constantemente estabelecer uma fusão entre o afro jazz, elementos da música tradicional moçambicana e linguagens contemporâneas, criando uma assinatura artística própria. O saxofone assume-se como o principal veículo dessa identidade, conduzindo o público por uma viagem sonora onde convivem ritmos africanos, harmonias modernas e improvisações inspiradas nas grandes escolas do jazz.

A dimensão colaborativa da sua carreira também continua a crescer. O músico tem desenvolvido trabalhos com artistas de Moçambique, África do Sul e Estados Unidos, incluindo nomes como Ellputo, Latique, LayLizzy, Zama Jobe, The Hoodbrodz, King Cizzy, Mark Exodus, Kevin Edilson, Mad K, Chelsea Mac, DJ Stussy e Chronical Deep, entre outros. O seu percurso inclui igualmente colaborações com produtores e músicos como Djimetta, Hélio Beatz, Shalom Beats e Black Spygo, reforçando uma presença cada vez mais consistente em diferentes géneros musicais.

Em 2026, Prince Chone subiu também ao palco do MTN Bushfire, em Eswatíni, ao lado dos The Hoodbrodz, participando num dos maiores festivais de música da África Austral, experiência que consolidou ainda mais a sua projecção internacional.

A trajectória de Prince Chone demonstra como o talento moçambicano continua a conquistar novos espaços além-fronteiras. Entre os ensinamentos adquiridos no MoreJazz Big Band, a projecção internacional construída a partir dos Estados Unidos e o reconhecimento de mestres como Moreira Chonguiça e Jimmy Dludlu, o saxofonista afirma-se como um dos nomes mais promissores da nova geração do jazz moçambicano.

Mais do que uma carreira em ascensão, Prince Chone representa uma nova visão sobre a música moçambicana: aberta ao mundo, comprometida com o intercâmbio cultural e capaz de transformar as raízes musicais do país numa linguagem universal. O seu percurso evidencia que o jazz produzido por jovens moçambicanos continua a ganhar relevância nos principais palcos internacionais, contribuindo para reforçar o posicionamento de Moçambique como um importante centro de criação artística no continente africano.

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