Nampula: Arune Valy promove “Ndalewa ine” destacando à valorização da leitura e das tradições moçambicanas

Por: Leodecio Zacarias
O jornalista e cronista moçambicano Arune Valy promoveu, na passada segunda-feira (27/04), na cidade de Nampula, a sua mais recente obra literária intitulada “NDALEWA INE: Mitos e realidades vividas”, um livro que reúne cerca de 130 crónicas dedicadas à reflexão sobre o quotidiano, as crenças e os valores culturais da sociedade moçambicana.
Durante o evento que foi realizado no Museu Nacional de Etnologia, o autor destacou que a obra foi concebida para alcançar todas as classes sociais, privilegiando uma linguagem acessível, sem abdicar da profundidade temática. Segundo Valy, o uso de expressões em línguas nacionais, como o cinyungwe e o cisena, surge como forma de valorizar a identidade cultural moçambicana e aproximar o leitor das realidades retratadas.
“Escrevo o livro para todas as classes socias, uma vez que a linguagem é de fácil percepção, não usei um vocabulário complicado para que todos possamos ter acesso e junto com algumas línguas nativas como forma de valorizar aquilo que é nosso” – afirmou.
No centro das crónicas estão temas como os mitos e crenças tradicionais, muitas vezes associados a acusações de feitiçaria, sobretudo contra pessoas idosas. O autor chama a atenção para a necessidade de uma leitura mais crítica desses fenómenos, defendendo o recurso a áreas como a antropologia, sociologia e ciências da religião para melhor compreensão das práticas culturais. Ao mesmo tempo, sublinha a importância de valores morais como o respeito pelos mais velhos e a valorização da família.

Arune Valy aproveitou a ocasião para exortar, de forma particular, a juventude a cultivar o hábito da leitura como instrumento de crescimento pessoal e intelectual. “Não importa se é o livro físico ou electrónico, porque tudo é leitura, uma pessoa que não lê não conhece o mundo, portanto, a nova geração tem que ler e escrever”. Reiterou.
Lançada no dia 17 de abril na cidade de Tete, a obra marca o regresso do autor ao panorama literário, 23 anos após o lançamento de “Coisas de Tete” (2003). O livro reúne textos originalmente difundidos na Rádio Moçambique desde o ano 2000.
As crónicas estão organizadas em quatro capítulos temáticos, com destaque para Mitos e Tradições e Crítica Social, oferecendo uma leitura crítica e sensível da realidade moçambicana.
A publicação conta ainda com ilustrações do artista plástico Newton Joaneth, que enriquecem a componente visual e ajudam a marcar a transição entre os capítulos. No prefácio, Jorge Ferrão descreve a crónica como um exercício de vigilância do quotidiano, destacando o humor e a ironia como marcas da escrita de Arune Valy.
Natural da província de Tete, onde nasceu a 11 de setembro de 1955, Arune Valy construiu uma longa carreira na Rádio Moçambique, sendo reconhecido como o primeiro cronista a manter uma rubrica semanal exclusiva na Antena Nacional. Com “NDALEWA INE”, o autor reafirma o seu compromisso com a valorização da cultura, da memória coletiva e do pensamento crítico na sociedade moçambicana.





