Eusébio Sanjane vence a 9.ª edição do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa

O escritor moçambicano Eusébio Sanjane é o grande vencedor da 9.ª edição do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa, distinção anunciada no início de Dezembro de 2025. O autor concorreu sob o pseudónimo Madlhaia Nhoca e foi premiado com a obra inédita “As 12 Caixas do Império”, escolhida por unanimidade pelo júri.
De acordo com o júri, composto por Lucílio Manjate (presidente), Sara Jona e Paula Mendes, a obra destacou-se pela actualidade da intriga, situada entre Londres, Lisboa e Maputo, e pela forma corajosa como aborda a restituição histórica, a partir da descoberta de arquivos sobre crimes cometidos pela PIDE/DGS em Moçambique, actualmente guardados na Torre do Tombo, em Lisboa. O romance foi considerado um digno representante da ficção histórica, ancorado na História recente e contemporânea de Moçambique e Portugal.
O júri sublinhou ainda a narração fluida, a linguagem poética intensa e o uso eficaz da técnica do suspense, elementos que contribuem para a construção de uma atmosfera dramática e misteriosa, capaz de prender o leitor do início ao fim. Estas características fundamentaram a atribuição do galardão a Eusébio Sanjane, reforçando a relevância literária da obra premiada.
Natural do histórico bairro de Chamanculo, em Maputo, Eusébio Sanjane é politólogo formado pela Universidade Eduardo Mondlane e mestre em Gestão Estratégica de Recursos Humanos pela Universidade Politécnica. Estreou-se na literatura em 2006 com Rosas e Lágrimas e consolidou a sua trajectória com obras como Frenesim: Poesia em Pétala de Lume (2017), Anatomia do Vazio e Arquivo Morto – As cartas de uma guerra que não acabou (2025), desenvolvendo uma escrita marcada pelo surrealismo íntimo e pela inquietação existencial.
Membro da Associação Moçambicana de Escritores (AEMO), o autor soma vários reconhecimentos nacionais e internacionais, entre os quais o Prémio Especial Jovem Il Convivio, atribuído pela Accademia Internazionale Il Convivio, da Itália, e o título de “Melhor Escritor do Ano”, concedido pela revista TVZINE em 2005. Para além da poesia e da prosa, Sanjane escreve crónicas, contos e textos de intervenção social, com publicações em jornais, antologias e revistas dentro e fora de Moçambique.
Nesta edição, o júri atribuiu ainda uma menção honrosa à obra “Nhatua: o sapatear de um buraco do terceiro mundo”, da autoria de Pedro Mucheu, descrita como uma alegoria com traços distópicos e kafkianos da realidade social e política moçambicana e africana.
Criado em 2017, o Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa resulta de uma parceria entre a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, com o objectivo de incentivar a criação literária moçambicana e a língua portuguesa. Para além de um prémio pecuniário no valor de cinco mil euros, a distinção garante a publicação da obra vencedora sob a chancela da Imprensa Nacional.








