Fotografias de Ricardo Rangel ganham nova leitura em exposição no CCFM

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) acolhe, a partir do dia 8 de Julho, a exposição “Idas e Vindas”, resultado de um projecto artístico e académico desenvolvido por quatro estudantes do 5.º ano da Escola Superior de Artes da Reunião. A mostra estará patente ao público até 4 de Agosto.

A exposição surge no seguimento do colóquio internacional Formas e Memórias de Moçambique e da Reunião: histórias cruzadas e paralelas, e baseia-se numa residência de estudo em Maputo realizada no final de 2024, onde os estudantes tiveram a oportunidade de explorar o arquivo fotográfico do lendário fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel, no Centro de Documentação e Formação Fotográfica de Moçambique.

A partir de um acervo de mais de duas mil imagens digitalizadas, os estudantes seleccionaram 49 fotografias que constituem o núcleo central da exposição. O trabalho propõe uma reflexão visual sobre a memória histórica e cultural de Moçambique, num diálogo com os olhares contemporâneos dos jovens curadores da ilha da Reunião.

Apresentada inicialmente na Reunião, Idas e Vindas representa não só um encontro entre dois espaços geográficos e culturais do Oceano Índico, como também um tributo ao legado de Ricardo Rangel, um dos nomes mais importantes da fotografia moçambicana.

SOBRE RICARDO RANGEL

Nascido em 1924 em Maputo (antiga Lourenço Marques), Moçambique. Faleceu em 2009 em Maputo. Ricardo Rangel foi fotojornalista. O seu trabalho orientou-se para a denúncia da colonização, o que lhe valeu várias detenções. As suas fotografias contam a história de Moçambique através dos gestos e das actividades quotidianas da população. Centradas no ser humano, as suas imagens são documentais, comprometidas e críticas. Em torno de Ricardo Rangel formou-se uma escola moçambicana do “real”.

Mestiço de origem grega, chinesa e africana, foi, em 1952, o primeiro não branco a trabalhar como fotojornalista no jornal moçambicano Notícias da Tarde. Considerado um dos pais da fotografia africana, Ricardo Rangel contribuiu também para o desenvolvimento, profissionalização e promoção da fotografia em Moçambique, ao fundar, no início dos anos 1980, a Associação Moçambicana de Fotografia, e posteriormente o Centro de Documentação e Formação Fotográfica.
Está representado pela AFRONOVA GALLERY (Joanesburgo).

  • 5179 Posts
  • 46 Comments
Fique informado sobre os famosos moçambicanos e tudo o que acontece no mundo de entretenimento em Moçambique.