Álvaro Fausto critica os intelectuais moçambicanos: “Conformismo e Silêncio Cúmplice”
Nesta quinta-feira, 5 de Novembro, o escritor moçambicano Álvaro Fausto partilhou na sua conta de Facebook uma reflexão contundente sobre o papel dos intelectuais no actual panorama sócio-político do país. Na publicação, intitulada “Teoria 3-100 das Barracas do Pulmão“, o autor não poupou críticas à classe intelectual, acusando-a de inércia e oportunismo face às crises que assolam Moçambique.
Segundo Fausto, os intelectuais mantiveram-se em silêncio durante anos, beneficiando dos privilégios do sistema. “Nunca quiseram enfrentar o problema pela frente. Estavam confortáveis em sua douta sabedoria: a do conformismo”, afirmou. A publicação denuncia ainda a hipocrisia de certos círculos académicos, que condenam publicamente os recentes protestos populares enquanto desfrutam do conforto das “salas climatizadas dos seminários” e das “tardes com vinho”.
O escritor chama a atenção para a verdadeira origem das manifestações: “Agora que a população saiu à rua, a população que lhe foi negada a educação, a habitação, o emprego, a humanidade […] vêm os intelectuais, de mansinho, condenar isto e aquilo.” Fausto questiona a autenticidade das preocupações destes grupos, sugerindo que a prioridade não é a justiça social, mas sim manter o status quo e os seus privilégios.
A crítica do autor surge num momento em que o país enfrenta tensões sociais crescentes, com protestos nas ruas e um descontentamento generalizado em relação à gestão governamental e à “verdade eleitoral”.








