David Bamo defende que os artistas devem parar de olhar Angola como “eldorado”

O renomado apresentador moçambicano David Bamo, conhecido pelos seus programas de promoção cultural, participou, recentemente, no Vinyl Podcast, onde falou da sua trajectória e partilhou a sua visão sobre a indústria musical moçambicana.
Durante a conversa, David Bamo defendeu a necessidade de mudar a narrativa em torno da música moçambicana e de parar de ver Angola como o “Eldorado” para artistas nacionais. O apresentador argumentou que, apesar da afinidade linguística com Angola, a África do Sul oferece maiores oportunidades para o crescimento dos artistas moçambicanos.
Segundo Bamo, o mercado musical sul-africano está significativamente mais desenvolvido, sendo uma plataforma estratégica para os artistas moçambicanos. O comunicador destacou que os gigantes da indústria global têm operações robustas na África do Sul, criando um ambiente mais propício para o desenvolvimento artístico e para a distribuição musical. A título de exemplo é que Universal Music, Sony Music, Warner Music e Empire operam na Terra do Rand.
Além disso, Bamo salientou a proximidade geográfica entre Moçambique e África do Sul, lembrando que o país partilha uma longa fronteira com a nação vizinha, por isso, é possível chegar à cidade de Joanesburgo de carro e o mesmo não acontece com Angola onde só se pode chegar de avião.
Ao recordar exemplos do passado, David Bamo mencionou artistas que encontraram maior projecção na África do Sul, como o saxofonista Moreira Chonguiça, o guitarrista Jimmy Dludlu e a banda 360 Mililitros. Esses casos mostram que a África do Sul não só tem potencial, mas também um histórico favorável para o sucesso de artistas moçambicanos. Em contrapartida, quase não há exemplos de artistas que realmente fizeram sucesso em Angola.
De referir que a visão de Bamo ressoa com as ideias já apresentadas anteriormente pelo produtor e empresário musical DX Nuvunga. Este, numa ocasião, defendeu que Moçambique devia deixar de ver Angola como o auge do sucesso musical para artistas locais. Na altura, a sugestão surgiu em resposta a pedidos para que o cantor Twenty Fingers fosse convidado para actuar em Angola. Nuvunga reforçou que os artistas moçambicanos deveriam ambicionar outros mercados mais amplos.









