De “Viva a FRELIMO” a “Pátria Amada”: A história do Hino Nacional de Moçambique
Em Moçambique, o hino nacional é um símbolo essencial ensinado desde cedo nas escolas. Intitulado “Pátria Amada”, é cantado diariamente por alunos do ensino primário e secundário, reforçando o patriotismo. Definido como símbolo oficial pela Constituição da República, o hino nacional foi aprovado pela Assembleia da República, com letra e música estabelecidas por lei.
Hoje, a Moz Entretenimento traz uma pequena história do hino nacional de Moçambique e vai revelar o seu respectivo autor, que quase ninguém conhece.
Viva, Viva a FRELIMO
Após a independência, o primeiro hino de Moçambique foi “Viva, Viva a FRELIMO”, composto por Justino Sigaulane Chemane, em vigor de 25 de junho de 1975 a 30 de abril de 2002. Contudo, na década de 1980, o Presidente Samora Machel considerou que o país precisava de um hino que representasse toda a população, e formou uma equipa de escritores e poetas, tais como Mia Couto, Samuel Munguambe Júnior, Calane da Silva e José Bento Victor, para propor um novo hino. No entanto, o projecto foi interrompido pela morte de Machel, no dia 19 de outubro de 1986, vítima de acidente de aviação.
Pátria Amada
Às vésperas das primeiras eleições democráticas em 1994, uma nova comissão de 15 membros foi formada para revisar o hino nacional. Esta comissão incluía artistas como Roberto Chitsondzo, Mariamo Matsinha, Hélder Monteiro, Fernando Saíde, Charzada Ová, Ivone Mahumana, Elvira Viegas, Almeida Tambara, Samuel Damaia, Francisco de Carvalho, Jeremias Pondeca e João Alexandre. Após deliberarem, decidiram que Moçambique precisaria de um hino nacional inteiramente novo.
Foi então que se pensou no maestro e etnomusicólogo Salomão Júlio Manhiça, que compôs o hino nacional intitulado “Pátria Amada“, abrangendo letra e partitura, cuja versão final foi aprovada em 2002 pelo então Presidente Joaquim Chissano.
Em 2013, a Assembleia da República reconheceu oficialmente Salomão Júlio Manhiça como o autor de “Pátria Amada”, solidificando sua contribuição ao país.
De referir que Salomão Júlio Manhiça, que perdeu a vida a 22 de Maio de 2013 vítima de doença, também é autor de outras obras que marcaram a revolução moçambicana, tais como “A Unidade do Povo”, “O Hino a Mulher Moçambicana” e “Exaltemos Mondlane”, assim como arranjou e criou o Coral das Forças Populares de Libertação de Moçambique.
Hino Nacional de Moçambique
Pátria Amada
Na memória da África e do Mundo
Pátria bela dos que ousaram lutar
Moçambique o teu nome é liberdade
O sol de Junho para sempre brilhará
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer
Povo unido do rovuma ao Maputo
colhe os frutos do combate pela Paz
cresce o sonho ondolado na bandeira
e vai lavrando na certeza do amanhã
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer
Flores brotando do chão do teu suor
pelos montes, pelos rios, pelo mar
nós juramos por ti, ó Moçambique:
nenhum tirano nos irá escravizar
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer






