Kutsamiwa: uma apreciação do filme que representa o drama vivido por mulheres africanas

Lançada em maio, a curta-metragem “Kutsamiwa” da cineasta moçambicana Carolina Ngovene é uma representação do drama vivido por mulheres africanas que sofrem de “Kutsamiwa”, termo em changana que em tradução livre portuguesa seria “Ser sentada”, que faz com que tenham muitos abortos ou que os bebês nasçam e morram precocemente.

Sendo sincero, sempre ouvia falar do Kutsamiwa mas nunca assisti um filme ou documentário que falasse do problema, por isso, logo que ouvi falar desta curta-metragem fiquei curioso e até comecei a pesquisar mais sobre o assunto.

Com cerca de 25 minutos, o filme falha por ter muitos cortes bruscos e mudanças não contextualizadas. O filme começa num ambiente familiar, numa zona rural, em que um pai está doente e o seu filho despede-se do mesmo porque tem que agarrar uma oportunidade de ir trabalhar na cidade. Por sua vez, o pai aceita e pede que o filho cuide da mãe, e que dê seu nome ao seu primeiro filho como forma de honrá-lo para sempre. 

Há um corte e depois vemos uma jovem que chora porque não consegue conceber e a sua mãe aconselha que procure a sogra para ajudá-la a superar o problema. Esta jovem é esposa do jovem que se despediu do pai para ir trabalhar, mas não se mostra nada que tenha a ver com o trabalho e, a partir daí, vai perdendo destaque na curta-metragem que se concentra mais na sua parceria. O casal decide ir visitar a casa do homem e a mãe fica espantada em recebê-los porque tudo indica que isso não era algo normal. Ao recebe-los, a nora começa a chorar, contando que tem estado a ter abortos e já tentou várias soluções na igreja. A sogra diz que a igreja não pode ajudar porque aquilo é Kutsamiwa e faz um procedimento que retira as coisas que faziam com que os abortos acontecessem.

Depois do procedimento, há outro corte, começamos a ver que a nora já tem um filho, o que significa que a sogra realmente resolveu o problema e era suposto que a relação delas tivesse melhorado, mas isso não aconteceu. Somos surpreendidos com a mulher que acusa a sogra de feitiçaria e diz que o filho dela não pára de chorar por sua causa. 

Com os choros frequentes do filho, o casal decide ir à casa da sogra pedir desculpas e ela recorda-lhes do pedido do seu marido, que era que o seu neto tivesse o seu nome, algo que não aconteceu, mas promete ajudar. Além disso, a mãe chama atenção ao filho que não apareceu no funeral do pai e nem visitou o seu túmulo. Importa referir que o pai só apareceu no início da curta-metragem e deixando no público a responsabilidade de adivinhar que ele teria morrido.

Repentinamente, a senhora também morre e o seu marido aparece como se fosse um anjo, o filho começa a chorar, se culpa pelo sucedido, e o filme acaba sem explicar a causa da sua morte, deixando ainda uma dúvida sobre a situação do neto que não parava de chorar.

Língua: Falta de legenda dificulta a percepção 

Os primeiros diálogos e outros ao longo do filme são feitos em changana, mas sem nenhuma legenda em português para aqueles que não entendem a língua, fazendo com que alguns telespectadores não percebam nada

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