Uma análise à narrativa do filme “Heterodoxo – O quarto”

No dia 15 de agosto, o Cine-Teatro Scala, na cidade de Maputo, acolheu a estreia do filme “Heterodoxo – O quarto”, dirigido por Ivandro Maocha com argumento de Joaquim Matavel, que já está disponível na plataforma de streaming do cinema moçambicano NetKanema

Movidos pela curiosidade, muitos telespectadores foram ao cinema para ver “Heterodoxo – O quarto” em primeira mão e saber o que há por detrás deste filme.

O título do filme já nos sugere algo fora do normal, até porque heterodoxo significa uma coisa contrária que não está nos padrões e normas estabelecidos…Mas o que seria tal coisa? O título do filme sugeria que o mesmo acontece em um quarto e é lá onde iríamos ver algo diferente. Os títulos dão muitas pistas, é só ver os sucessos da Netflix, tais como “O Poço/A Plataforma”, que acontece mesmo numa espécie de poço, bem como “Resgate”, que sugere mesmo um filme sobre resgate.

Agora, voltando ao “Heterodoxo – O quarto”, o filme acontece mesmo num quarto e começa mostrando uma mulher (Sheila) que se apercebe da chegada do marido (Fred) em casa e finge estar a dormir, dando a impressão de estar cansada do casamento. O marido entra no quarto e acorda a sua amada esposa, a partir daí começa um mar de reclamações em que ele diz que não é notado pela parceira, nenhuma das suas acções têm efeito e, repentinamente, a mulher muda de humor e já nem parece aquela que estava a fingir estar sonolenta, começa a regar o marido de elogios. Depois de receber os elogios, o marido muda de humor e diz que está cansado do casamento e quer divórcio. 

As primeiras cenas são capazes de deixar qualquer um confuso sobre quem está zangado com o outro e qual é o motivo. As mudanças de humor são tão repentinas que dão impressão de que o telespectador perdeu algo que não é mostrado no filme.

A dado momento, há supostos assaltantes que invadem a casa do casal e desaparecem sem aparecer no filme, deixando dúvidas sobre o que terá acontecido ou qual era a ideia daquela cena. Quando os assaltantes entraram no quintal, o casal simulou estar a se esconder, mas de uma forma muito amadora que qualquer pessoa podia vê-los sem dificuldades se batesse a janela ou entrasse no quarto. Supostamente, os assaltantes mataram o cão do casal, mas ele também não aparece em cena. 

Outra cena que levanta dúvidas é que os telefones do casal tocam, porque recebem ligações de números privados e não há um diálogo profundo sobre isso para se descobrir quem são as pessoas que estavam a ligar.

As coisas começam a ficar claras quando a mulher revela que está grávida e questiona como o marido reagiria se o filho fosse gay. Revoltado, Fred começa um discurso a dizer que cada um tem direito de escolher a sua orientação sexual e ser feliz, a esposa não percebe o porquê de tanta revolta, mas se dá conta de que o marido tem outra pessoa. Com isso, Sheila exige que o marido revele a identidade da amante e ele diz que na verdade tem um amante, com quem tem uma relação desde a adolescência e só casou com ela  para fechar os olhos da sociedade. Sheila chora, chora tanto e o filme acaba sem explicar porquê ela fingia estar a dormir com a chegada do marido e quem ligou-lhe de madrugada. Será que Sheila não tinha algo a revelar também?

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