“OCIANÚTOPIA” de Lara de Sousa com Naír Noronha

Os caminhos percorridos no mar para resgatar memórias a partir de fotografias do arquivo da IHOI (Iconoteca Histórica do Oceano Índico), foi o desafio colocado à Lara de Sousa, que em trabalho conjunto com Naír Noronha, deram vida a residência “ocianútopia”, cujo resultado será apresentado nesta quarta-feira, 26 de Abril, na galeria do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, onde teremos adicionalmente, uma sessão de conversa com as artistas sobre o processo criativo desta instalação, na Quinta-feira, 27 de Abril, às 18h.
Segundo o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, Trata-se de um exercício artístico que visa reconstituir “Património Iconográfico do Oceano Índico”, reunindo colecções iconográficas de 7 países (as ilhas Comores, Madagáscar, a ilha Maurícia, a ilha Maiote, Moçambique, a ilha da Reunião e as ilhas Seicheles), oferecendo uma narrativa mais humanizada em relação ao conceito atribuído às mesmas fotografias durante o período colonial.
Esta instalação resulta de um programa de residência artística da Iconoteca Histórica do Oceano Índico (IHOI), financiado pela União Europeia ao abrigo do OP INTERREG V, sendo o Franco-Moçambicano e do Arquivo Histórico, as instituições anfitriãs de Moçambique.
Cientes da importância deste evento, convida-se ao vosso prestigiado órgão de comunicação social a fazer cobertura e divulgação.
SOBRE AS ARTISTAS
Lara Sousa – Cineasta e artista visual
O trabalho de Lara envolve narrativas vindas de um país que ainda se tenta reconciliar com a sua identidade passada e presente. As questões relacionadas com revolução, trauma, culpa, morte, angústia ressoam nas histórias que Lara conta.
Centrando-se nos não-lugares onde estas narrativas individuais podem existir, ela cria um espaço imaginário entre passado, presente e futuro, onde os desejos subjectivos podem emergir, como um acto poético de não deixar morrer as experiências subjectivas.
É realizadora e artista visual, fundadora da Kulunga Filmes, uma produtora cujo principal objectivo é a produção de filmes (documentários e ficção) por cineastas emergentes de países africanos de língua portuguesa e países da região austral de África.
As curtas-metragens que dirigiu e realizou ganharam vários prémios e foram exibidas em vários festivais tais como FESPACO, DAKAR 2022, MAM Rio para citar alguns.
Actualmente está a desenvolver, entre outros projectos, o documentário “O Navio e o Mar” que participou na Berlinale DocStation e é financiado pelo Programa Documentário Sundance.
NAIR NORONHA
Naír Noronha nasceu em Maputo nos últimos anos da Guerra Civil, onde aprendeu a dançar entre aulas e jogos de rua, é formada em sociologia e dança e performance.
Em 2018 recebe uma bolsa da Câmara Municipal de Lisboa e Instituto Camões para desenvolver o projecto “Trançar” no qual entrelaça os temas de património cultural, identidade feminina e memória colonial, e onde a composição dos tecidos é tão importante quanto a coreografia.
Nos últimos três anos viveu em Portugal, onde tem actuou como perfomer e dançarina numa peça dirigida pelo moçambicano Venâncio Calisto e outra pelo brasileiro Marcelo Evelyn (Matabichar- para uma poética da fome; Barricada), e trabalhou como activista e trabalhadora social e comunitária.
No seu trabalho confronta a sua subjectividade e identidade com o passado colonial.
O seu maior interesse actualmente foca-se na fusão de diferentes expressões artísticas como as artes plásticas, a dança e a performance, e atravessada pelas questões do cruzar das suas raízes identitárias (Moçambicana, Indiana, Portuguesa), assim como pelos lugares onde viveu.
Naír trabalha diversos temas como: migração, descolonização, silenciamento das histórias identidades e vivências com um especial enfoque no feminino, e familiar, combinando assim a sua visão política com uma linguagem poética.
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