Fotógrafo moçambicano Mário Macilau vence prémio de fotografia na França

O fotógrafo  moçambicano, Mário Macilau, é o vencedor do prêmio internacional Francês Roger Pic Award 2023, na qual obteve o primeiro lugar, no valor de 5. 000, 00 € (cinco mil euros), correspondentes a 350. 000, 00 Mts (trezentos e cinquenta mil meticais), para além do valor monetário, o conceituado fotógrafo irá se beneficiar da participação de uma residência curta que terá lugar na França no início de Junho e depois de uma exposição individual que irá inaugurar em Setembro e o artista se fará presente para ambos eventos.

A organização, premia todos os anos, em memória de Roger Pic, Francês e um grande diretor de fotografia, o Roger é considerado como defensor, defensor dos direitos autorais, é autor de um portfólio que documenta a realidade e questiona nossa humanidade com singularidade. O júri, inspirado pela abordagem humanista e generosa de Roger Pic, por detrás deste Prémio, teve em consideração a sensibilidade e originalidade dos autores. Com o Prêmio Roger Pic, a organização deseja incentivar os fotógrafos cujo talento ainda não recebeu o devido reconhecimento. 

“Moçambique e o continente Africano, tem artistas com um talento incomparável e que precisam de destaque e reconhecimento, Mário Macilau tem um olhar único e o seu trabalho muitas vezes promove uma realidade local, memória coletiva e simultaneamente nos faz pensar para mudarmos de atitude e tomar a direção certa, social e dá a ver cenários desconhecidos do grande público. É um trabalho poético que também faz denúncia social e traduz realidades desconhecidas sobre diversos assuntos.Afirmou a Caroline Chatriot directora Cultural Da Fundação Scam (organização que organiza o concurso).

O trabalho que levou Macilau a ganhar este prémio, é um projeto intitulado Fé, que o fotógrafo vem trabalhando e pesquisando desde 2010 e é sobre os Maziones. E Segundo ele, “Fé’ regista a prática do animismo na cultura Moçambicana da atualidade. Este animismo é herdeiro de formas tradicionais de religião nas quais se acreditava existirem espíritos que habitam os objetos e os fenómenos da natureza: assim se explicava a influência dos espíritos dos antepassados na existência dos vivos. Através das suas práticas, estas religiões tradicionais preservaram as antigas tradições culturais de Moçambique. Tais práticas incluem ensinamentos, medicina tradicional, métodos de cura, ritos de passagem para os jovens (mulheres e homens) e aconselhamento sobre as condutas a observar entre os membros de uma comunidade. Refletem conceitos locais – mas por vezes contraditórios – de Deus e do cosmos.” E ganhar este prémio para mim é muito significativo e encorajador.

O escritor Moçambicano Mia Couto, escreveu um texto sobre este trabalho: “Viemos do mar. Os deuses que inventamos também moram nos oceanos. Assim, pensam os maziones de Moçambique. Como centenas de outras seitas, os maziones criaram uma religião sincrética, mestiçando componentes cristãos com as crenças africanas da região.

Mário Macilau foi ver como deuses e gente se visitam à beira-mar. Ele captou o gesto ritualizado destes crentes que invadem a praia e fazem dela o seu templo.

O olhar de Macilau percorreu esse templo sem paredes, essa igreja sem tecto. E viu como as ondas lavavam as almas, como os demónios eram vencidos com o sangue do cordeiro e a purificação dos espíritos. Mais do que uma reportagem fotográfica, Macilau converteu em refinada arte esse encontro entre deuses e homens, entre terra e oceano.

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