As Principais Danças Tradicionais de Moçambique

As Principais Danças Tradicionais de Moçambique

- in Curiosidades, Dança

Danças Tradicionais de MozA dança tradicional é um dos maiores patrimônios culturais de uma nação e Moçambique tem a sorte de ser muito rico nesse aspecto.

Do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, o que não faltam são danças tradicionais, algumas com toques semelhantes e outras nem tanto. 

Neste artigo, a Moz Entretenimento pretende dar a conhecer as principais danças tradicionais que o nosso país possui em cada região. 

Veja a seguir”

Danças tradicionais da Zona SulDanças Tradicionais

Xingombela

É uma dança tradicional originária de Moçambique, mas concretamente na província de Gaza, que vai até a província de Maputo.

A dança era praticada de noite, por jovens, rapazes e meninas da mesma idade ou aproximadas. Entre eles, tocavam batuques, apitos, xipalapala (chifres de gazela) e vestiam-se de peles de animal, saias de palha, pulseiras de linhas de saco, atravessavam entre as costas e a cintura um pedaço de pele.

Xigubo

Xigubo é uma dança tradicional moçambicana sobretudo da região sul, especialmente nas regiões interiores de Gaza e Maputo, e representa a resistência colonial.

Esta dança, consiste no alinhamento de um determinado número de homens (dançarinos) em uma ou duas filas, devidamente adornados com objectos de fibras e peles nos braços e nas pernas, colares de sementes, entre outros signos, vestindo saiotes confeccionados com peles de animais, as quais se fazem acompanhar de um instrumento de defesa denominada xitlhango ou azagaia. Nas extremidades da fila feita pelos dançarinos, geralmente, encontram-se duas bailarinas que se “confrontam”.

Zoré 

A dança Zoré é originária da região de Zavala, em Inhambane, era feita devido às guerras constantes que os chopes (tribo do sul de Moçambique) travavam contra os Ngunis (tribo sul Africana). Esta dança era praticada para celebrar a Vitória dos guerreiros nas batalhas que estes travavam. 

Hoje ela é praticada geralmente pelas mulheres, e os homens tocam instrumentos (Batuques, Timbila, latas, etc.). Para além da Zoré, nesta província podemos encontrar o Timbila que já faz parte do património da UNESCO.

A dança é caracterizada pela presença de tambores e batuques feitos de madeira oca revestido com pele de animal, por utilizar as mãos e dois chocalhos para tocar batuques, utilizar apito para dar uma determinada atenção, por combinar sons de batuques com as canções sintetizando a formação histórica, identidade social e cultural do povo da localidade de Golo e por ser executada em pares ou individual ou mesmo mais de dois: homens e mulheres, com alguns movimentos com o corpo recto mantendo um ritmo vibrante com mais incidência para a cintura

Ngalanga

É uma dança típica da província de Maputo, e é mais frequente nos distritos de Magude e Marracuene. É uma dança que data da época das guerras constantes que os chopes travaram contra os Ngunis. Esta dança celebrava o regresso dos guerreiros, após uma batalha, da qual saíram vitoriosos. À medida que estes se aproximavam da aldeia, iam tocando Mpundo (grande chifre de impala), para anunciar o seu regresso e a sua vitória.

Tradicionalmente esta dança revelava um carácter acentuadamente social, constituindo um factor de relevo, para a manutenção da unidade tribal e para afirmação da lealdade comum dos seus membros ao respectivo chefe. Com a colonização portuguesa em Moçambique e a consequente modificação da sociedade, a dança de Ngalanga passou a ter uma função diferente, continuando porém, a ter um significado de guerra e combate. Nesta dança só participam homens.

Xingomana

O Xingomana é uma dança originária da província de Gaza, e é o desenvolvimento da dança Massessa, também das regiões de Gaza. 

Xingomana é conhecida como a dança da juventude feminina, pois foi concebida tradicionalmente. É um divertimento para as raparigas. 

Era exibido no Inverno, altura fresca e de grande abundância alimentar. Não era integrada em nenhuma cerimónia e as regulares exibições que se faziam tinham como finalidades a alegria das jovens que nas suas canções falavam da vida dos jovens, criticando certos erros por estes cometidos.

Nesta dança a indumentária é geralmente constituída por um: «Chiquitau», blusa com uma cor adoptada pelo grupo, e o «sundo», espécie de uma saia feita por minalas. 

O nome Xingomana foi dado a esta dança, após a introdução de um instrumento de percussão chamado «ngoma», muito pequeno. Massessa, é a dança mãe do Xingomana.

Makwayela

A Makwayela é uma dança tradicional profundamente enraizada na região sul do país, em consequência da aproximação com a vizinha África do Sul, país apontado como a “progenitora” daquela disciplina artística.

A Makwayela é um modo expressivo que desempenhou um importante papel no universo da cultura do Sul de Moçambique. Inclui o canto, a dança, a literatura oral e o traje elaborado. 

Trata-se de um modo desempenhado por grupos de homens (embora excepcionalmente as mulheres também possam participar), que se apresentam nos bairros de Maputo e nas pequenas localidades do Sul. 

Os cantos da Makwayela revelam um carácter socialmente integrativo, e estão cheios de pequenas parábolas e alegorias. Referem-se à família, à saúde e à doença, à religião, ao casamento, à guerra e à morte.

Danças tradicionais da Zona Centro

Nhau

O Nyau (Gule Wankulo) é uma dança praticada por vários grupos étnicos espalhados pelas regiões transfronteiriças de Moçambique, Malawi e Zâmbia. Dentre eles figuram os Chewa, Achipetas e Azimbas.

A sua origem é associada à formação do Estado Undi, por volta do século XVII, e é uma dança masculina, na qual o dançarino é equipado com máscaras e o restante do fardamento.

Em território moçambicano, o Nyau é praticado em oito distritos da província de Tete, nomeadamente Angónia, Furancungo, Macanga, Zumbo, Tsangano, Chiúta, Zóbwe e Moatize. É também praticado na província de Maputo, distrito de Boane, trazido para esta região cidadãos oriundos sobretudo da província de Tete.

A dança foi certificada pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (UNESCO) em Novembro de 2005, como uma obra-prima do património oral e intangível da humanidade.

Nhambaro

A dança Nhambaro é executada principalmente por mulheres, que no ritmo dos batuques vão mexendo os seus corpos com o som. 

Essa dança é praticada na baixa Zambézia, que compreende a cidade de Quelimane, Nicoadala, Namacurra e Inhassunge.

Niketxe

Niketxe é uma dança tradicional originária das etnias lomué e macua, mais precisamente, no norte da Zambézia e nas províncias de Nampula e Niassa. 

Mas no distrito de Namarrói, no extremo norte da Zambézia, o Niketxe tem a componente de cobras vivas e naturais que os executantes transportam durante a exibição.

Danças tradicionais da Zona Norte

Tufo

Introduzido pelos árabes dizem que esta dança é religiosa e foi criada por Aicha, esposa do Profeta para apaziguar o mau humor de Mohammad. Apenas as mulheres dançam tufo, regra geral pintam a cara com musiro e usam capulanas muito coloridas. O nome vem de ad-duff, ou seja tambor em árabe.

Maulide

Trata-se de uma demonstração de fé, na qual os homens dançam com uma espécie de alfinete ou instrumentos afiados que se chamam tupachi, e aparentemente penetram na carne, mas não deitam sangue nem deixam marcas.

Para preparar o corpo para este ritual alguns praticantes ficam 15 dias sem actividade sexual e sem comer peixe, mas é mais praticado nos casamentos islâmicos e é muito comum na Ilha de Moçambique.

Mapico

Mapiko é uma manifestação moçambicana, que cultiva a história e signos do povo Maconde ao mesmo tempo em que traz a possibilidade de diálogo com o momento actual, podendo nele ser representado e simbolizado algo presente que mantém viva a história desse povo, transmitindo valores, memórias e ensinamentos.

O Mapiko é elemento da identidade cultural do povo Maconde, e veículo da cultura onde se perpetuam experiências passadas e situações quotidianas. Os artistas Macondes que fazem parte do Mapiko (escultores, cantores, músicos, dançarinos) são responsáveis pela preservação e transmissão da tradição.

Fonte: Sopro Educação

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