Reggie redescobre a sua identidade artística através do projecto Gineceu III
A artista moçambicana Reggie encontrou no projecto Gineceu III uma oportunidade para fortalecer a sua identidade artística e transformar experiências pessoais em obras visuais que exploram a memória, a espiritualidade e a feminilidade. A residência artística, realizada em Maputo, permitiu-lhe ultrapassar bloqueios criativos e encarar a arte como o principal meio de expressão e comunicação com o mundo.
Durante o programa, a artista participou em exercícios de autorreflexão e fotografia que a levaram a revisitar a infância, marcada pela ausência da figura paterna, e a reconhecer a resiliência como parte fundamental da sua história. Segundo Reggie, este processo ajudou-a a reforçar a sua identidade enquanto mulher e artista moçambicana, valorizando as raízes, as memórias e o papel da figura feminina na sociedade.
Segundo O Destaque, Reggie procura relacionar o quotidiano moçambicano com a espiritualidade e a memória ancestral. Através de tintas acrílicas e a óleo, cores, texturas e símbolos, cria composições que convidam o público a explorar a ligação entre o visível e o invisível, a matéria e a memória. Estas obras integram a exposição colectiva que assinala uma nova etapa do projecto em Maputo.

A artista destaca igualmente a importância da mentoria da professora Carmen Muianga e da troca de experiências com as artistas e fotógrafas Luísa Paula Nhantumbo e Yassmin Forte. Para Reggie, o contacto com estas mulheres contribuiu para o seu amadurecimento técnico e conceptual, reforçando a importância da solidariedade feminina e da colaboração no meio artístico.
Com o apoio da Associação Kulungwana e da Embaixada da Noruega, Reggie pretende agora levar o seu trabalho a galerias e residências artísticas internacionais. A artista considera que estas plataformas são fundamentais para ampliar a visibilidade da criação moçambicana e partilhar histórias locais que dialogam com temas universais, como identidade, memória e feminilidade.




