De Transmissores de Herança Cultural Para Produtores de Polémicas Rápidas e Descartáveis

Por: Kasper, O Kamikaze

Num passado não muito distante, em um dos meus textos eu disse que: “Os meios de comunicação de massas, para além de entreter, desempanham papeis fundamentais na sociedade, informar, dessiminar e preservar tradições , valores e conhecimentos de geração em geração. No seu papel como transmissor da herança cultural, eles podem actuar de forma Oral, Escrita, atravês da música e etc”.

Hoje, muitos agentes culturais (com destaque para as televisões), que antes se viam como promotores de conhecimento, arte e reflexão, transformaram-se em geradores de debates superficiais apenas para atrair audiência. Isso revela uma mudança no papel da media e dos influenciadores culturais, de mediadores de ideias para produtores de polêmicas rápidas e descartáveis.

Em Moçambique, no passado, tivemos programas televisivos que realmente exerciam a sua função de transmissor de herança cultural, quem não se lembra do Porta 1, do Mais Jovem, do Masseve, Music Box, etc… Enfim, são tanto que outrora estiveram em serviço da cultura Moçambicana.

Hoje, vemos programas que criados para promoção da cultura, com destaque para a música, transfromarem-se em centros de debates fúteis, descartáveis e sem contibuto social.

Vejamos o que estaria nos “bastidores” dessa mudança:

  • Modelo de monetização digital: redes sociais e plataformas de streaming recompensam engajamento rápido (cliques, likes, partilhas), não necessariamente qualidade ou profundidade.
  • Publicidade baseada em atenção: quanto mais tempo o público permanece envolvido, maior o retorno financeiro, o que incentiva conteúdos sensacionalistas.
  • Filtros algorítmicos: sistemas de recomendação privilegiam conteúdos que geram reações intensas, mesmo que sejam fúteis.
  • Velocidade da informação: a instantaneidade das redes reduz o tempo para análise crítica, favorecendo respostas imediatas e superficiais.

Posto isto, pode-se assumir que não é apenas uma questão de “vontade” dos promotores culturais, mas uma combinação de incentivos econômicos, pressões sociais e dinâmicas tecnológicas que empurram o conteúdo para a polêmica fácil. Por outro lado, é sabido que o público tem o poder de orientar o mercado cultural, mas para tal, devemos ter uma sociedade consciente que saiba distinguir o fútil do útil, recompensar a qualidade (apoiar e divulgar criadores que investem em profundidade e pensamento crítico), valorizar tempo e atenção como recursos preciosos, não desperdiçando-os em polêmicas sem impacto e criar comunidades que incentivem diálogo saudável e não apenas a busca por engajamento.

Para encerrar, lembrar que somos todos responsáveis pelo modelo de sociedade que estamos a criar e devemos reflectir sobre o que pretendemos deixar como legado para as gerações futuras.

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