Governador de Inhambane defende a valorização do património histórico-cultural da província e do país

Por: Rivaldo Massunda

À margem da recente cerimónia de inauguração do primeiro estúdio musical público, que integra uma incubadora cultural, Francisco Pagula defendeu a necessidade de promover acções e iniciativas que visem valorizar e preservar o património histórico-cultural da província, em particular, como um dos principais motores para o desenvolvimento do turismo e fortalecimento da identidade local.

Movido pelo reconhecimento da rica diversidade histórica, arquitectónica e cultural, Pagula considera Inhambane como um dos principais polos de preservação patrimonial do país. A sua localização costeira, aliada à existência de edifícios de arquitectura colonial, igrejas antigas e espaços históricos, reflecte a fusão de influências africanas e portuguesas ao longo dos séculos.

Entre os marcos mais relevantes que sustentam esta visão, destaca-se o Museu Regional de Inhambane, responsável por salvaguardar a memória e os elementos culturais da região. Para além dos monumentos e estruturas históricas, a província preserva importantes locais de memória colectiva, como o espaço onde ocorreu a reunião de elaboração da primeira Constituição da República de Moçambique, na praia do Tofo, o “Buraco dos Assassinatos” e o antigo pórtico de deportação de escravos, que testemunham capítulos marcantes da história local.

A província abrange ainda áreas de grande interesse turístico, como a baía de Inhambane, as praias e a cidade de Maxixe, que contribuem para a diversidade cultural e económica da região. No campo do património imaterial, a gastronomia local destaca-se pela sua riqueza e autenticidade, com pratos tradicionais como o caril de amendoim, a matapa, a xiguinha de cacana e doces à base de coco, como a cocada.

As manifestações culturais também assumem um papel central, com destaque para a Timbila, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade, além de outras expressões como o m’godo, guissedede e o xigubo. Neste contexto, o governante destacou os esforços em curso para mobilizar recursos destinados à reabilitação de mais de 35 locais históricos existentes na província.

Pagula apelou igualmente ao envolvimento colectivo dos agentes culturais e da sociedade, sublinhando que o crescimento da província depende da cooperação entre diferentes sectores. “A nossa província é turismo, a nossa província é cultura. Queremos contar com o apoio de cada um para fazermos crescer e enaltecer os bons êxitos da nossa província”, reforçou.

No final, o governante lançou desafios concretos para impulsionar o sector cultural, propondo a criação de uma Semana Cultural provincial. “Desafiamos o Director Provincial da Cultura e Turismo para que possamos encontrar um espaço e termos uma Semana Cultural, onde possamos trazer a manifestação de todas as nossas expressões culturais como província e fazer valer isto como um factor agregador do nosso turismo”, afirmou.

Apesar do seu elevado valor histórico e cultural, o património de Inhambane enfrenta desafios relacionados com a conservação e preservação. Ainda assim, continua a afirmar-se como um activo estratégico para o desenvolvimento do turismo no sul de Moçambique, contribuindo para a valorização da história, da cultura e da identidade local.

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