Mafalda Vasconcelos expõe “o outro lado de vênus” na Fundação Fernando Leite Couto
É com a mulher e a sua relação com a natureza que a artista plástica moçambicana Mafalda Vasconcelos se estreia numa exposição individual. “O outro lado de vênus”, será inaugurada na quarta-feira, 04 de Março de 2026, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto.
Para quem já conhecia o universo da artista será a confirmação enquanto quem a desconhece poderá descobrir um universo de imaginação, observação e criação à volta do feminino, como o princípio do belo na humanidade. Mafalda Vasconcelos, na sua carreira de cerca de 10 anos, maior parte feira no estrengeiro, com exposições na Austrália, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, apresenta-se agora no seu solo pátrio, com o trabalho a ser apresentado com a curadoria de Yolanda Couto.
O desenho e a pintura a óleo constituem o centro da sua produção. Para a artista, a arte é um exercício de introspecção – um meio de revelar emoções e pensamentos profundos, em diálogo constante com a sua identidade e história. Os seus retratos, vibrantes e íntimos nascem das mulheres da sua família e das suas próprias experiências enquanto mulher, procurando suspender o tempo e criar um encontro silencioso e duradouro com quem os contempla.
Numa leitura à obra de Mafalda Vasconcelos, a escritora Eliana N’zualo constata que “Cada obra traz elementos naturais, como árvores e flores, incorporando materiais orgânicos que ressaltam a conexão íntima entre a Mulher e a Natureza”. A exposição remete à figura de Vénus, a deusa da fertilidade, que simboliza não apenas a fecundidade da terra, mas também a fertilidade de ideias e emoções. As mulheres retratadas aqui são também Vênus, preenchendo o espaço com suas cores vibrantes, texturas ricas e composições vivas, transmitindo uma riqueza que ressoa em cada canto da exposição.”
Cresceu envolvida por múltiplas influências culturais – europeias, africanas e australianas que moldaram desde cedo o seu olhar sensível sobre o mundo. O amor pela arte despertou por volta dos 9 anos, de forma íntima e espontânea quando criava as suas primeiras peças, sentada ao lado da sua avó de origem Nharinga, na Zambézia. Enquanto a avó trabalhava e costurava, Mafalda observava, aprendendo o valor do gesto, do tempo e da criação manual.
Após viver 19 anos em Maputo, Mafalda partiu para Espanha onde estudou design de moda aprofundando a sua relação com a forma, o corpo e a expressão visual. Mais tarde, na Austrália, concluiu um mestrado em Empreendedorismo, experiência que ampliou a sua visão sobre a criação artística enquanto espaço de reflexão e autonomia.
Já de volta a Moçambique, a artista fez parte de exposições colectivas em 2023, na Kulungwana e em 2024 na Vulcano. Agora em “O outro lado de vênus” patente na Fundação Fernando Leite Couto durante todo o mês de Março, a partir do dia 4, busca um encontro ainda mais profundo com o público.











