Músicos de Inhambane acusam instituições públicas de maus-tratos e desvalorização em eventos oficiais

Músicos e integrantes de grupos culturais baseados na cidade de Inhambane denunciam alegadas situações de maus-tratos, longas jornadas sem alimentação adequada e desvalorização financeira durante a sua participação em eventos promovidos por instituições governamentais.

As denúncias chegaram recentemente à Moz Entretenimento, e apontam para práticas recorrentes durante visitas de altas individualidades à província, celebrações de datas comemorativas e cerimónias oficiais organizadas pelo Governo, Município e partido no poder.

Segundo relatos colhidos junto de membros de grupos de danças tradicionais, alguns dos quais integram crianças, os artistas são mobilizados ou recolhidos ainda de madrugada, apesar de as actividades iniciarem três ou mais de quatro horas depois.

Somos obrigados a acordar às quatro da manhã e recolhidos por volta das seis, para eventos que começam às dez ou onze horas. Ficamos horas à espera, muitas vezes sem alimentação. Quando há comida, só é distribuída por volta das quinze horas, depois de as actividades terminarem. Regressamos a casa depois das dezenove horas, com crianças exaustas”, relatou uma das fontes, que falou sob anonimato por receio de represálias.

Igualmente, os denunciantes afirmam que o problema já foi apresentado, no ano passado, ao actual Secretário-Geral do partido FRELIMO, Chakil Aboobakar, durante um encontro realizado no salão de eventos do Paraíso da Família. Contudo, segundo dizem, não houve mudanças significativas desde então.

Além das alegadas condições precárias, os artistas queixam-se também de desvalorização financeira. Segundo alguns músicos ouvidos pela nossa reportagem, os valores pagos pelas actuações são considerados insuficientes e não correspondem ao esforço exigido.

Não compensa. Somos chamados para animar grandes eventos, mas o pagamento é muito baixo. Muitos já decidiram não aceitar convites para actividades do Governo, do Município ou do partido no poder”, afirmou um dos músicos locais.

Outra questão levantada prende-se com o alegado tratamento diferenciado em eventos que contam com artistas convidados de outras províncias. Segundo os queixosos, quando há partilha de palco, os artistas locais sentem-se secundarizados, tanto ao nível das condições logísticas como da valorização institucional.

Até ao fecho desta edição, não foi possível obter um posicionamento oficial das entidades visadas sobre as acusações. A nossa redacção continuará a acompanhar o caso e procurará ouvir a contraparte para garantir o contraditório.

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