Filmes de Assane Ramadane parados por falta de financiamento

Dois projectos cinematográficos do cineasta moçambicano Assane Ramadane encontram-se paralisados por falta de financiamento. Trata-se dos filmes “A Fúria do Ciclone Freddy” e “A Última Travessia”, obras de curta e longa-metragem que abordam realidades sociais marcantes vividas por milhares de moçambicanos.
Segundo explicou o realizador à TVM, “A Fúria do Ciclone Freddy” pretende retratar, de forma cinematográfica, os traumas provocados pela passagem do ciclone Freddy, que devastou a província da Zambézia, com destaque para a cidade de Quelimane, em Março de 2023. A obra procura dar voz às populações que perderam casas, bens e familiares, transformando a dor colectiva numa narrativa audiovisual de memória e reflexão.
Já o filme “A Última Travessia” aborda o drama da migração ilegal, contando a história de pessoas que tentam sair do país em condições extremamente perigosas, viajando escondidas em contentores. A narrativa expõe situações de fome, falta de ar e mortes durante o percurso, incluindo a história de uma mulher que viaja com o seu filho, revelando os riscos enfrentados por quem procura melhores condições de vida fora das fronteiras nacionais.
De acordo com Assane Ramadane, o orçamento necessário para viabilizar os projectos ronda os 300 mil meticais, valor que ainda não foi assegurado. O cineasta apelou ao apoio da sociedade, defendendo que pequenos contributos podem fazer a diferença. Com cinco anos de experiência no cinema e quatro filmes já disponíveis ao público, Assane Ramadane sublinha que o principal desafio continua a ser o financiamento, uma realidade comum a muitos jovens cineastas moçambicanos.






