Estátua de Eduardo Mondlane ainda sem solução um ano depois

A estátua do primeiro Presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, continua a ser alvo de críticas por parte do público e de especialistas do sector das artes, sobretudo pelo alegado desequilíbrio proporcional na cabeça e em outros elementos da escultura. Contudo, um ano após o anúncio de correcções por parte do Governo, ainda não há esclarecimentos públicos sobre os resultados da comissão técnica criada para avaliar a obra.

Recorde-se que, em 2024, o então Ministério da Educação e Turismo anunciou a constituição de uma equipa multidisciplinar, composta por especialistas nacionais e estrangeiros, com o objectivo de avaliar e promover ajustes à estátua inaugurada em Maputo. No entanto, nenhuma informação concreta sobre os membros da comissão ou o andamento do processo foi disponibilizada até ao momento, o que tem gerado desconfiança quanto à sua actuação.

Em declarações à STV, figuras ligadas à escultura voltaram a expressar preocupação com a demora e com a qualidade artística da obra. O escultor e docente do ISArC, Luís dos Santos, defende que o trabalho de avaliação não deveria levar tanto tempo:

“Em dois meses já deveria haver resultados. Um ano é demasiado. A estátua precisa de correções urgentes e não de prolongamentos infundados”, afirmou.

Já o escultor Dias Malhate, autor da estátua de Mondlane na sede nacional da FRELIMO, em Maputo, considera que ajustes superficiais não resolvem o problema:

“A estátua não foi bem feita. Para corrigir, seria necessário refundir o bronze e recomeçar, remendos não seriam ideais”, explicou.

Além das proporções corporais, representantes da Anarte e da Matsolo Artes, José Gravata e Pedro Mourana, apontam falhas no posicionamento da estátua, que, segundo afirmam, compromete a sua visibilidade e presença estética na cidade. Destacam igualmente inconsistências no movimento das vestes e na anatomia geral da figura.

Perante as críticas, o porta-voz do Ministério da Educação e Cultura, Silvestre Dava, assegura que o processo está em fase final:

“A comissão está a concluir o relatório, que será divulgado oportunamente. Trata-se de uma matéria complexa e não podemos precipitar-nos antes de concluir todas as análises”, ressaltou.

O escultor Pompílio Gemusse, autor da obra e também da estátua de Filipe Samuel Magaia, admitiu no passado haver falhas no resultado final, mas actualmente prefere não se pronunciar, aguardando igualmente pelo relatório da comissão técnica.

Um ano depois, o Governo confirma que o relatório de avaliação técnica já está concluído, mas ainda carece de consenso interno para ser divulgado. A Ministra da Educação e Cultura, Samaria Dos Anjos Tovela, admite que o documento não satisfaz totalmente as expectativas e que a obra poderá ser requalificada ainda este ano. Até lá, permanece a incerteza sobre o futuro do monumento e sobre as medidas que serão adoptadas para responder às preocupações dos artistas e da sociedade civil.

Enquanto o documento não é divulgado, a estátua permanece no centro da controvérsia e o público continua à espera de uma solução concreta para um monumento que deveria honrar, sem contestação, uma das figuras mais importantes da História de Moçambique.