Entre lágrimas e melodia: Lizha James e a Luta Contra a Violência
Numa semana em que o tema da violência doméstica volta a dominar o debate público em Moçambique, impulsionado pelo caso da influencer Siuvia Paulo, a Moz Entretenimento recorda o legado de Lizha James, uma das artistas que mais deu voz à luta contra a violência baseada no género através da música.
Ao longo da sua carreira, Lizha James utilizou a arte como forma de denúncia, empatia e resistência, transformando experiências de dor e desigualdade em hinos de força e superação.
Nandi We
Em “Nandi We”, por exemplo, a cantora questiona as razões de um relacionamento marcado por agressões, perguntando: “Será que não cozinho bem? Será que não trato bem a sogra?”, uma reflexão sobre as mulheres que, mesmo dando tudo de si, são silenciadas pela violência.
Miyela aKu Rila
Já em “Miyela aKu Rila”, Lizha aborda outro tipo de sofrimento: a violência psicológica e social que muitas mulheres enfrentam quando ficam viúvas e são privadas dos seus bens ou da dignidade, revelando como a dor pode vir não apenas do parceiro, mas também da própria família.
Mamã
Em “Mama”, a cantora retrata o desespero de quem quer regressar à casa materna após um casamento fracassado, questionando por que razão a família não devolve o dote do lobolo quando a mulher está a sofrer, uma crítica directa às tradições que perpetuam o sofrimento feminino.
Perfeito imperfeito e Narcisismo
Com “Perfeito Imperfeito” e “Narcisismo”, Lizha James expôs um lado ainda mais pessoal e vulnerável. Mais do que simples músicas, estas obras foram um grito de libertação após um relacionamento conturbado, revelando a artista como mulher, sobrevivente e voz de tantas outras.
Seja por experiência própria ou pela sensibilidade de compreender as dores alheias, Lizha James fez da sua música uma plataforma de empoderamento. As suas letras continuam a ecoar entre gerações, lembrando que a arte pode ser cura, resistência e, acima de tudo, um espelho da realidade de muitas mulheres moçambicanas.











