Um espectáculo mostrou magia de “Resistir Para Existir”
Na última sexta-feira, 12 de Setembro, o Centro Cultural Moçambique-China foi palco de um dos momentos mais marcantes do calendário cultural do ano, o evento “Resistir Para Existir”, que reuniu mais de 50 artistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Durante quase duas horas, o público mergulhou num intenso percurso artístico onde música, poesia, teatro e dança se cruzaram para transformar as memórias coloniais e as lutas pela liberdade em matéria de arte, emoção e partilha colectiva.
Logo na abertura, o poema Os Contratados, de Agostinho Neto (Angola), marcou o tom de resistência que se estendeu a interpretações como Hinavela ku ya kaia e Quem é Quem. O primeiro grande momento de comoção chegou com Sodade, eternizada por Cesária Évora, e que aqui ganhou nova vida na voz da portuguesa Ana Girão.
Outros pontos altos incluíram:
- Olga Boavida (Timor-Leste), ao recitar Bilimund, trazendo densidade poética;
- A reinterpretação colectiva de Eles Comem Tudo, de Zeca Afonso, pelas vozes de artistas de cinco países;
- A homenagem do guineense Remna Schwarz ao pai, José Carlos Schwarz, com Djiu de Galinha;
- Coreografias inspiradas em danças tradicionais como a makuela;
- A evocação de clássicos como Velha Chica (Valdemar Bastos) e Fanny Pfumo.
O ponto culminante foi o hino da residência artística, composto por Stewart Sukuma e Mia Couto, onde cada artista deu voz a uma parte. Sukuma sintetizou o espírito do encontro:
“Este hino não é só uma música. É um abraço de todos os países que aqui se encontraram, um compromisso de que a cultura nos une acima de tudo.”
No encerramento, a são-tomense Vanessa Faray resumiu:
“Aqui provámos que a nossa diversidade é a nossa força. Resistir é continuar juntos.”
Já o director da residência, Sol de Carvalho, reforçou a dimensão do encontro:
“Resistir não é apenas sobreviver. É existir com dignidade, criar novas formas de dizer o mundo e partilhar a esperança. É essa a missão da arte.”
O espectáculo integrou o projecto Resistência e Afirmação Cultural, coordenado pela Associação Cultural Scala (Moçambique), em parceria com a Khuzula Investments. A iniciativa contou com o financiamento do PROCULTURA — programa da União Europeia, cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e apoio de vários parceiros locais.






















