Antologia “Construir amanhã com barro de dentro” reúne vozes pós-independência dos PALOP
A Catalogus, em parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, lança hoje, às 17h30, a antologia de prosa “Construir amanhã com barro de dentro – vozes do pós-independência”, organizada pelos escritores e jornalistas Eduardo Quive (Moçambique) e Israel Campos (Angola).
A obra reúne 19 contos de escritores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – unindo vozes literárias de uma geração nascida no período pós-independência, em celebração dos 50 anos da conquista da soberania nacional destes países.
Entre os autores presentes na coletânea estão nomes já consolidados da literatura contemporânea africana e jovens promissores em ascensão: Amadu Dafé, Ailton Moreira, Alice Pessoa, Edson Incopté, Eileen Barbosa, Happy Taimo, Ivanick Lopanza, Janine Oliveira, Jessemusse Cacinda, Luana Cardoso Pereira, Marinho Pina, Maya Ângela Macuácua, Mélio Tinga, Oliver Quiteculo, Pedro Sequeira de Carvalho, Rosa Soares e Sérgio Fernandes, além dos próprios organizadores, Eduardo Quive e Israel Campos.
O livro conta com um prefácio da escritora moçambicana Paulina Chiziane, primeira mulher africana distinguida com o Prémio Camões, e com um posfácio da académica Inocência Mata, professora de Literatura e Estudos de Cultura na Universidade de Lisboa.

Paulina Chiziane escreve que “nestes textos, há mais choro do que dança. São textos de choro, denúncia e revolta. Mas, fiquemos claros. Choro é dor ou saúde. Por vezes, birra, rebelião, revolução. Quem não chora não mama. É preciso gritar para desassossegar”.
Já Inocência Mata sublinha que “estes autores jovens escrevem a partir da experiência concreta, mas não deixam de encarar os precipícios do seu tempo. Não celebram, denunciam. Não proclamam verdades, sussurram dúvidas, expõem inquietações, revelam frustrações. E ainda assim, ou por isso mesmo, renovam o gesto inaugural dos poetas da Independência”.
Sobre os organizadores
Eduardo Quive é jornalista e escritor. Publicou, entre outros, A cor da tua sombra (Romance, 2025), Mutiladas (Contos, 2024), Para onde foram os vivos (Poesia, 2022) e O Abismo aos pés – 25 escritores lusófonos respondem sobre a iminência do fim do mundo em 2020 (co-autor, Entrevistas). Co-fundou a Catalogus e é colaborador da Fundação Fernando Leite Couto.
Israel Campos é jornalista e escritor angolano, vencedor da 2ª edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/Casa da Moeda (2024) e do Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro (2025). Com quase uma década de experiência na imprensa, colabora como freelancer para a imprensa internacional em órgãos como a BBC, Voice of America, Al Jazeera e Wall Street Journal. Em 2023, publicou o seu romance de estreia E o Céu Mudou de Cor (Kacimbo, 2023). Actualmente é doutorando em Media e Comunicação na University of Leeds.











