Artistas em Gaza denunciam abandono e falta de apoio à cultura
Artistas da província de Gaza afirmam sentir-se “marginalizados e abandonados” pelas autoridades, apontando para o estado de degradação da Casa da Cultura, que há mais de uma década não recebe manutenção adequada.
Segundo O País, entre os que se manifestam está o músico Isac Matusse, de 76 anos, deficiente visual desde os três meses de idade e com mais de 100 composições no seu repertório. Apesar do seu reconhecimento artístico, diz viver em condições precárias e sem apoio. “A minha casa tem infiltrações. É o Governo que deve ajudar-me nisso. Preciso de apoio para gravar um álbum”, apela o artista, que, juntamente com a esposa, vende música nos mercados locais para garantir a alimentação diária.
A realidade é partilhada por outros fazedores de cultura, que lamentam a falta de políticas consistentes para o sector. Manuel Rungo, coreógrafo em Xai-Xai, aponta a ausência de interesse do Governo provincial como causa principal para o abandono da Casa da Cultura, enquanto Edmilson, produtor musical, critica a falta de material de qualidade nos estúdios.
O director da instituição, Jorge Mabunda, reconhece as dificuldades e explica que o orçamento anual de cerca de 380 mil meticais apenas cobre o funcionamento básico, sendo insuficiente para reabilitações estruturais ou aquisição de equipamentos.
Sem palco nem condições para ensaios e apresentações, muitos artistas recorrem aos quintais ou espaços improvisados para manter viva a sua arte. Eduardo Vicente, professor de teatro, lamenta que “tantos artistas não tenham sequer um espaço digno para exibir o seu talento”.
A mesma fonte contactou a Direcção Provincial da Cultura e Turismo, que não respondeu às solicitações de esclarecimento sobre a situação.






