MISA denuncia intimidação e tortura psicológica a jornalistas em missão de trabalho em Cabo Delgado
O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) denunciou publicamente um acto de intimidação, tortura psicológica e confisco de material jornalístico, alegadamente perpetrado por agentes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) contra um grupo de 16 jornalistas, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.
Segundo o MISA, os profissionais da comunicação, provenientes de diferentes órgãos de imprensa com representação em Pemba, estavam a caminho de Mueda para cobrir as obras de asfaltagem do troço Mueda-Negomano, parte do Corredor de Desenvolvimento de Mtwara. Durante uma paragem em Macomia, onde pretendiam entrevistar o Administrador Distrital sobre o processo de reconstrução da vila afectada por ataques terroristas, foram inicialmente autorizados a captar imagens, mas acabaram confrontados por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que recusaram o acesso à residência oficial, hoje ocupada por militares.
Após abandonar o local, a viatura que transportava os jornalistas foi seguida, e já em Miangaleua, cerca de 70 quilómetros depois, o grupo foi interpelado por elementos das FDS, obrigado a sair do carro, identificado, fotografado e teve parte do seu equipamento confiscado, sem qualquer mandado ou base legal apresentada.
O grupo foi posteriormente conduzido de volta a Macomia, onde enfrentou interrogatórios e alegada tortura psicológica durante cerca de duas horas. Apenas após este período foram autorizados a seguir viagem.
Em carta enviada ao Ministério da Defesa Nacional, o MISA classificou o caso como “alarmante” e exigiu esclarecimentos urgentes, apelando à investigação do incidente e à responsabilização dos envolvidos.
A organização de defesa da liberdade de imprensa alerta para o risco de normalização de actos que comprometem o exercício jornalístico em zonas de conflito, e reitera que os jornalistas estavam devidamente identificados e em missão de serviço.











