Televisão Moçambicana: De transmissora da herança cultural para difusora de mediocridade
Por: Kasper, O Kamikaze
Os meios de comunicação de massas, para além de entreter, desempanham papeis fundamentais na sociedade, informar, dessiminar e preservar tradições , valores e conhecimentos de geração em geração. No seu papel como transmissor da herança cultural, eles podem actuar de forma Oral, Escrita, atravês da música e etc.
A televisão em Moçambique data do inicio da década 80 com a fundação da TVE, catual TVM e mais tarde foram surgindo as outras, mas é no fim da década 2010, com a explosão da midia social, que surgem mais canais televisivos em Moz, maior parte deles voltados ao Entretenimento.
Não pretendo neste texto contar a história da televisão em Moz, mas trazer aqui alguns pontos que julgo serem relevantes visto que nos últimos tempos a televisão perdeu os seus valores.
Durante anos, os ecrãs reflectiram a alma moçambicana. Transmitiam danças tradicionais, debates construtivos, teatro, jornalismo sério e programas que valorizavam o saber local. A televisão era mais do que entretenimento: era instrumento de cidadania.
Mas o que aconteceu com esse legado?
Hoje, a realidade é outra. Basta vaguear por alguns minutos para perceber: a televisão virou palco da superficialidade. Em vez de cultura, temos “shows” vazios. Em vez de talento, temos escândalo. Em vez de conteúdo que nos orgulha, temos programas que envergonham e banalizam a nossa cultura e tradição.
A pergunta é: onde foi parar a missão educativa da televisão moçambicana?
A mediocridade virou tendência. Gente sem conteúdo vira celebridade. Conversas banais ganham destaque. A aparência vale mais do que a mensagem. O entretenimento perdeu o propósito e virou um desfile de tudo que não constrói: fofocas, sensacionalismo e apelos baratos à audiência e exposição de nudez.
Claro, o entretenimento também tem seu lugar. Rir, distrair-se, relaxar — tudo isso é importante. Mas entre entreter e emburrecer, há uma linha que muitas televisões cruzaram sem olhar para trás.
Não se trata de nostalgia, mas de responsabilidade. A televisão forma opinião, influencia comportamentos, molda mentalidades e constroi uma sociedade. O que se transmite para milhões de lares não é apenas passatempo: é construção social.
Se continuarmos aplaudindo o vazio, corremos o risco de criar uma geração que despreza o saber e idolatra a fama fácil.
Está na hora de repensar o que queremos ver — e mais ainda, o que queremos ser.











