A Hipocrisia dos artistas moçambicanos: Quando o apoio é só para as redes
Por: Kasper O Kamikaze
A artista Katia Agy está a enfrentar uma situação crítica de saúde e precisa de algo muito simples, porém vital: sangue. O apelo foi lançado nas redes sociais e, como é de se esperar, choveram partilhas, stories e hashtags com frases como “Força Katia”, “Estamos contigo”, ou “Doem sangue”. Mas, na prática, quantos desses artistas ou influenciadores que têm milhões de seguidores deram realmente o passo de ir doar sangue?
A verdade é dura: é fácil ser solidário no Instagram. Difícil mesmo é sair de casa, enfrentar uma fila no hospital e doar sangue — um gesto que pode literalmente salvar uma vida.
Não se trata de apontar dedos, mas de chamar à responsabilidade. A cultura do “apoio performativo” — aquele que só acontece quando há visibilidade, likes e engajamento — está a matar a essência da solidariedade genuína.
Se os próprios artistas, que têm influência e voz, não são capazes de liderar pelo exemplo, como podemos esperar que o público em geral se mobilize?
Este é um apelo à coerência: menos stories, mais acções. A Katia precisa de sangue, não de Likes e Shares.
Mas agora a pergunta que não quer calar:
Quem foi realmente doar?
Quem saiu de trás do telefone e agiu?
Porque quando a câmera está desligada…
– A maioria silencia.
– A maioria desaparece.
– A maioria só aparece para os “likes”.
Chega de solidariedade performativa.
Chega de hipocrisia digital.
A Katia não precisa de likes.
Ela precisa de sangue.
Ela precisa de ações reais.
Ela precisa de presença, não só de partilhas.
Se você tem influência, use-a com propósito. Lidere pelo exemplo. Vá doar. Incentive com atitudes. Menos stories, mais solidariedade. Uma doação pode salvar uma vida.











