Pela primeira vez Moçambique passou o réveillon sem “grandes shows”
Pela primeira vez na história, Moçambique celebrou a passagem de ano sem grandes shows culturais. A decisão foi desencadeada após as eleições presidenciais de 9 de outubro de 2024, consideradas controversas por acusações de fraude. O candidato presidencial Venâncio Mondlane, conhecido como VM7, convocou manifestações em todo o país, o que gerou grandes bloqueios econômicos e sociais de grande impacto.
No início de novembro de 2024, Venâncio Mondlane anunciou que as celebrações de Natal e Réveillon seriam suspensas, o que levou ao cancelamento em massa de eventos culturais. Artistas começaram a cancelar apresentações nas primeiras semanas do mês, tendo deixado as casas de espectáculo vazias durante as festas natalinas. Na noite de 24 para 25 de dezembro, não houve shows ao vivo, uma situação que se repetiu um pouco na passagem de ano, entre 31 de dezembro e 1º de janeiro.
Em Maputo e outras grandes cidades do país, houve eventos que foram marcados nas últimas horas, mas as celebrações limitaram-se a fogos de artifício e pequenas reuniões nas ruas, onde as pessoas tocavam caixas de som Bluetooth e rádios para ouvir música. A falta de espetáculos ao vivo privou o público de momentos tradicionais de interação com seus artistas favoritos.
Essa situação inédita mostra o clima de tensão política e social no país. Desde as eleições, as manifestações convocadas por VM7 e seus apoiadores, que representam cerca de 20% do eleitorado, têm buscado expor alegadas irregularidades no processo eleitoral. Porém, essas acções têm resultado em confrontos violentos, frequentemente marcados por mortes.








