Reavaliando o passado para construir o Futuro: As novas prioridades da FFLC em 2025

A Fundação Fernando Leite Couto, no âmbito da sua missão de promover a expressão artística e a cultura na sua diversidade, tem feito no fim de cada ano, uma chamada para que artistas, de forma colectiva ou individual, produtores e outros interessados, procedam com a submissão de propostas de projectos a realizarem com o apoio desta instituição.

Segundo o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, para o ano 2025, após avaliação interna, não procederá com o formato habitual de abertura de chamadas para propostas. Pelo contrário, a aposta será na reavaliação dos vários projectos submetidos nos anos anteriores até 2024, que não foram realizados por razões várias, entre elas, a sobrecarga da agenda cultural ou a pertinência em termos de linhas de curadoria dos eventos. Assim, neste momento está-se no processo de reapreciação de propostas que ficaram pendentes nos anos passados, incluindo neste ano.

Será dada a prioridade a programas de formação e capacitação de jovens artistas e criativos nacionais para que façam o melhor uso do seu talento para o desenvolvimento individual e colectivo, explorando melhor as oportunidades locais e globais para a sustentabilidade do trabalho artístico. Espera-se que a abrangência desses programas seja equitativa, procurando abranger mais jovens mulheres e abrindo-se para mais espaços para a além da cidade capital. 

Os programas serão nas áreas técnicas e criativas das artes, desde a produção cultural, artes performativas, literatura, artes visuais e as áreas multidisciplinares e até transversais às componentes das práticas artísticas, incluindo a gestão, organização, parcerias sustentáveis e captação de recursos para o desenvolvimento de projectos. 

Cada um desses programas merecerão uma comunicação específica para que os interessados possam não só informar-se com mais detalhes, mas se procederem com as inscrições ou candidaturas. 

De resto mantém-se a natureza da FFLC, como uma casa, “portas abertas para os outros” e “janelas abertas aos sonhos”, parafraseando o poeta Fernando Leite Couto. Com um compromisso cada vez mais reforçado com a pluralidade, a promoção da prática artística e do melhor talento moçambicano e o desenvolvimento social através da cultura.

A caminho dos 10 anos

O processo de reflexão ocorre também a propósito do 10º aniversário de criação da Fundação que se assinala em 2025 e do fim das comemorações do Centenário do patrono, o jornalista, poeta, editor e tradutor Fernando Leite Couto, em 2024.

Desde Abril de 2015, altura que foi oficialmente aberta FFLC, são várias as realizações a assinalar.

A nível da Literatura, um dos principais pilares da Fundação, foram publicados cerca de 35 títulos, com destaque para as edições através do Prémio Literário Fernando Leite Couto, com autores das províncias de Maputo, Inhambane, Nampula e Tete, no total de sete autores. 

Realizamos cerca de 1000 eventos na área das artes performativas (teatro, música, dança, multidisciplinar), cinema, debates e palestras. Essas actividades envolveram vários artistas, entre moçambicanos e estrangeiros de várias nacionalidades, promovendo o intercâmbio e o diálogo intercultural.

Na área das artes visuais através da Galeria da Fundação, foram realizadas cerca de 120 exposições individuais e colectivas, juntando os principais artistas plásticos de Moçambique, com espaço para os emergentes com um futuro promissor. A estas exposições juntam-se ainda oficinas de artes plásticas que inclui como beneficiários, crianças e adolescentes.

Este percurso é feito ainda de acções desenvolvidas para além da sede da Fundação, mas em instituições culturais ou espaços sociais nos arredores da capital e nas províncias moçambicanas. Com apoio à espectáculos, apetrechamento de bibliotecas e realização de eventos literários.

Encerramento das actividades de 2024

A Fundação Fernando Leite Couto já está com a programação de eventos e projectos para o 2024 encerrados.

Foi um ano criativamente produtivo, em que mais iniciativas encontraram espaço para a sua realização de forma profissional, com as comunidades criativas e o público em geral, contando sempre com os principais parceiros que tornam o nosso trabalho possível no dia-a-dia.

Destacamos ainda a continuidade do debate e reflexões na linha que se iniciou em 2023, cuja temática gira em torno de “Pensar em Comum”, com intelectuais e académicos nacionais, incluindo representantes de instituições, que buscaram pensar o país, contribuindo com propostas para um Moçambique ideal para todos, através dos ateliers filosóficos coordenados pelo filósofo Severino Ngoenha. Foram algumas dessas figuras que passaram pelo “Atelier Filosófico”, Dr. Carlos Martins, Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Carlos Mondlane ex-presidente da Associação Moçambicana de Juízes, Dr. Eduardo Namburete, deputado da Assembleia da República, Dr. Luca Bussotti, sociólogo, entre outros. 

Foram mais de 80 eventos realizados dentro e fora da Fundação. Foram mais de 200 artistas e criativos envolvidos na programação cultural, na sua maioria jovens, cujo talento para além de comprovado está em crescendo. 

  • 5077 Posts
  • 46 Comments
Fique informado sobre os famosos moçambicanos e tudo o que acontece no mundo de entretenimento em Moçambique.