“Cantar em playback é enganar o público” – Elvira Viegas

A renomada cantora moçambicana Elvira Viegas, que actualmente soma seis álbuns na sua carreira, esteve na última sexta-feira, 22 de novembro, no programa “Batidas”, da TV Sucesso, onde partilhou a sua trajectória musical e deu a sua opinião sobre a evolução da música no país.

Durante a conversa, Elvira recordou o contexto social antes da independência, afirmando que mulheres que actuavam na música ou no teatro eram frequentemente mal vistas pela sociedade. “Os mais velhos diziam que ‘essa mulher não vai ter lar’. Mas, após a independência, as coisas começaram a mudar”, afirmou. A dona da voz inconfundível revelou que a sua paixão pela música começou aos 8 anos de idade e relembrou que o seu primeiro cachê foi de 2.000 meticais, dinheiro este que guardou no banco, porque já trabalhava. 

A cantora falou igualmente das dificuldades enfrentadas pelos músicos no passado, como a existência de apenas um estúdio de gravação no país, na Rádio Moçambique. “Os artistas tinham que formar fila e, além disso, havia muita censura. As músicas tinham que passar mensagens e os músicos investiam muito nos instrumentos, o que fazia com que as canções da década de 1980 ainda sejam marcantes até hoje”, explicou.

Elvira Viegas aproveitou para elogiar o músico Deltino Guerreiro, e reconheceu seu esforço em investir em instrumentos musicais e incentivou-o a manter essa abordagem. “As músicas dele têm uma qualidade que lembra os anos 1980“, disse.

Ao relembrar o início da sua carreira, quando cantava em eventos familiares, Elvira Viegas avançou que sempre priorizou apresentações ao vivo e diz que nunca gostou de playback. “Aqui em Moçambique, o playback engana. O que vocês fazem é enganar o público. Lá fora, os músicos não usam playback; o que fazem aqui é mímica. Desculpem a verdade, amigos, mas é importante falar disso“, disse, pedindo desculpas por sua sinceridade.

Comparando o passado com o cenário actual. Elvira Viegas comentou que, na sua época, a música não gerava grandes rendimentos, mas actualmente os músicos têm mais oportunidades financeiras. E apelou aos artistas da nova geração para que gerem bem os lucros da carreira. “Apesar de tantos anos de estrada, continuo a ser muito feliz e a minha música ainda conquista o público. Quando me apresento, sinto a vibração e o carinho dos fãs“, concluiu.