“Há falta de valorização das línguas Bantu no País” – Luís Honwana 

O escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana, autor da obra “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, participou na manhã desta quarta-feira (18/09), num encontro com docentes e estudantes de diversos cursos na Universidade Licungo, na cidade da Beira.

De acordo com o jornal “O País“, a conversa ocorreu no âmbito do dia inaugural da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, que se realizou de quinta-feira a sábado na cidade da Beira. Durante o evento, Honwana abordou temas relacionados com o passado e a actualidade de Moçambique, com destaque para a desvalorização das línguas bantu no país. Segundo o escritor, há uma grande discrepância entre o discurso oficial e as práticas concretas em relação à promoção dessas línguas.

Apesar de os moçambicanos comemorarem 50 anos de independência, Honwana afirmou que a língua portuguesa ainda não ocupa um lugar plenamente inclusivo no país, uma vez que exclui uma parte significativa da população em diversas esferas. O escritor citou, como exemplo, o processo de construção da paz e da democracia, afirmando que apenas aqueles que dominam o português se sentem envolvidos, enquanto os demais são relegados à posição de meros espectadores.

No que se refere ao sistema de ensino, Honwana sublinhou que, embora exista um programa de educação bilíngue em algumas regiões, a língua portuguesa ainda recebe prioridade sobre as línguas bantu.

Para o autor, as línguas bantu são uma expressão essencial da identidade dos moçambicanos em diferentes contextos. Ao final do encontro, Honwana desafiou os estudantes a buscarem soluções para os problemas do país, incentivando-os a desenvolver trabalhos de conclusão de curso voltados para enfrentar os desafios que Moçambique enfrenta, em vez de se limitarem a observar passivamente.

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