“Resposta a Zeinadine: Valdemiro José não tem músicas, as marcas só querem imagem dele” – Mavusso Nhumaio

Em Moçambique, é comum que, quando um artista começa a ganhar popularidade e a lançar boas músicas, surgem comentários de que as marcas devem associar-se à sua imagem.

Ontem, o director da TTV, durante o programa Show de Fred, afirmou que o músico Twenty Fingers está a ser injustiçado, pois, apesar de criar boas músicas, até agora nenhuma marca se associou à sua imagem. Zeinadine deu exemplos dos Estados Unidos, onde o mercado funciona de maneira diferente, mas esqueceu que estamos em Moçambique, onde poucas marcas têm capacidade financeira para pagar 1 milhão de meticais a um artista em um mês. 

Durante a sua análise, Zeinadine Artes criticou Valdemiro José, tentando elevar a imagem de Twenty Fingers, ao ponto de afirmar que VJ “não tem nenhuma música” e “não canta nada”, mas ainda assim possui grandes marcas como patrocinadoras.

É importante esclarecer que Valdemiro José, desde que participou do Fama Show, um reality show organizado pelo grupo SOICO (Sociedade Independente de Comunicação), conseguiu construir a sua imagem, mesmo com poucas músicas no mercado. Além disso, VJ sempre manteve uma conduta exemplar, o que contribuiu para ganhar a confiança das grandes empresas.

Outro ponto muito importante é que, para uma marca se associar a um artista, não é necessário que este tenha muitos hits. O mais importante é a imagem que o artista projeta. As marcas escolhem seus embaixadores não apenas pelas suas músicas, mas pela imagem que eles representam. Um exemplo claro é MC Roger, que, apesar de não estar no auge musical, ainda assim é procurado pelas marcas devido à sua imagem. Mesmo após ter perdido contratos importantes, o patrão da música moçambicana voltou a assinar novos acordos, não pelo sucesso musical recente, mas pelo valor da sua imagem.

Todos desejamos sucesso para Twenty Fingers, mas é crucial entender que assinar com uma marca não significa necessariamente fazer dinheiro. A realidade em Moçambique é que poucas marcas têm capacidade de pagar grandes valores aos artistas, talvez isso mude no futuro. Acredita-se que Twenty Fingers já ganha bem com os espetáculos que realiza, cobrando mais de 150 mil meticais por actuação, e em dezembro, esse valor pode ultrapassar 200 mil meticais.

Além disso, é importante lembrar que muitos artistas que assinam com marcas não obtêm grandes ganhos financeiros. Muitas vezes, os acordos envolvem troca de serviços, como refeições em restaurantes, sem compensação monetária significativa. Portanto, não há necessidade de grande preocupação com a falta de patrocínios para Twenty Fingers; é possível que ele já tenha recusado propostas que não considerou vantajosas.

Quando Valdemiro José e Mr. Bow assinaram com marcas, não foi por recomendação do público, mas sim porque as marcas reconheceram o valor em tê-los como imagem. O mesmo aconteceu com MC Roger, que foi escolhido livremente pelas empresas. Assim, devemos deixar Twenty Fingers brilhar e continuar a sua carreira. Quando o momento certo chegar e Deus quiser, as empresas irão naturalmente se associar a ele, sem esforço adicional. Devemos evitar denegrir a imagem de artistas estabelecidos para promover aqueles que ainda estão a consolidar a sua carreira. Também o artista não pode fazer músicas e esperar que seu sucesso venha de marcas.

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