Phayra Baloi estreia “Nossos Corp(u)s” no Teatro Avenida

Phayra Baloi, encenador e light designer, dirige “Nossos Corp(u)s”, com estreia marcada para dia 7 de Setembro, às 18h30, no Teatro Avenida.

A performance teatral “Nossos Corp(u)s” traz à tona questões sobre o corpo humano e sua relação com as narrativas pessoais que cada indivíduo carrega. Mais do que simples matéria de estudo, este exercício propõe uma análise da influência dessas histórias sobre a própria matéria, subverte a ideia do corpo como mero objecto tangível e explora-o como veículo de experiências e memórias profundas.

Vamos construir uma linguagem de pensamento sobre os martírios e tradições a que seus corpos se submetem, à medida que fazem parte de uma nação“, explica Phayra Baloi.

O enredo gira em torno de Sunama, uma mulher de origem humilde, cujos pais vêm de diferentes regiões. Casada com um jovem que se vê arrastado para a defesa da pátria, Sunama representa a figura central de uma trama marcada pela tradição, pelos conflitos e, acima de tudo, pelo peso que reside no triste significado do seu nome.

Na representação de “Nossos Corp(u)s” não teremos só visível no palco do Avenida a história de Sunama; estará transparente a avaliação do destino dos corpus — ou, se preferirmos, corpos — que migram em busca de um propósito e de um futuro.

A performance é resultado de uma residência que durou um mês e meio, no âmbito da Bolsa da Mobilidade Criativa, financiada pela Cooperação Suíça, em parceria com o 16Neto Cultural Space.

Com a direcção de Phayra Baloi, e um elenco de actores composto por Ramadane Matusse, Solange Charlles, Lírico Poético, Clayda Beque, Orlas Intimane e Aura Cossa, a peça convida o público à introspecção sobre os nossos próprios corpos e as narrativas que carregamos.

A produção está a cargo de Lúcia Comé, a cenografia e os figurinos sob responsabilidade de Fernanda Muhambe, a música sob comando de Sumalgy Nuro, as fotografias de Ildefonso Colaço e os cuidados audiovisuais nas mãos de Odjoh Molotov II e Aílton Zimila.

As entradas são ao preço simbólico de 200 meticais e 100 meticais para estudantes.

Phayra Baloi, nos últimos anos, encena peças cujo teor é reflexivo, e às vezes filosófico, sobre as práticas sociais dos homens, na posição de agentes que podem gerar mudanças positivas ou prejuízos em casos extremos. São exemplos disto: a peça “Plasticidade” e “Penumbras”, além de outras performances teatrais que dirigiu enquanto encenador da Companhia de Artes A Palhota, onde é membro fundador.