Música rap, cultura e literatura de Moçambique debatidas numa Universidade da França

Ontem, 13 de maio, diferentes vertentes da cultura moçambicana foram debatidas na Aix-Marseille Universitié, a universidade com maior número de estudantes na França, no âmbito da programação da Jornada Científica em Língua Portuguesa, que tinha o intuito de promover o português como língua científica.
Segundo o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, a mesa de abertura contou com três professores que abordaram sobre Moçambique. A professora Marcela Santana, directora da “Cátedra UNESCO Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa”, na Universidade de Coimbra (Portugal), retratou sobre a importância de se ter a Ilha de Moçambique como Patrimônio Imaterial, além de comparar características da arquitetura de Maputo com a do Rio de Janeiro em uma perspectiva cultural.
Por sua vez, o professor Carlos Guerra Júnior, da Universidade Federal de Rondônia (Brasil), retratou sobre “o rap como território de estudos comparados” e mostrou as contribuições de rappers como Azagaia, Iveth, Olho Vivo e Dingzwayu, além dos beatmakers IMBLGK, Carina Houston e Az Pro, como forma de perceber as dinâmicas sociais de Moçambique e compará-las com outros países, a partir de temas como gênero, racismo e valorização linguística.
Já a professora Adriana Florent, que chefia a licenciatura em língua portuguesa na Aix-Marseille Universitié, teve como foco a literatura, mas fez uma correlação dos poetas que lutaram pela independência de Moçambique com o papel político actual dos rappers.
Além dessas pesquisas que tiveram um viés mais cultural, o evento ainda contou com a presença do pesquisador moçambicano, Dercio Alberto, que é doutorando na Aix-Marseille Université, sendo vinculado ao Institut des mondes africains (IMAF – Instituto dos Mundos Africanos). O trabalho dele teve uma perspectiva mais econômica, apresentando o trabalho “A gestão costumeira dos recursos naturais em Moçambique: uma análise a partir da questão do acesso, posse e partilha da terra e da água no vale do Incomati, 1895-2014“. Na apresentação, Dercio abordou sobre a política agrária focada na vila de Marracuene.
Novas apresentações sobre rap moçambicano na Europa
O rap moçambicano volta a ser debatido em uma renomada universidade de Moçambique ainda neste mês de maio. Os estudiosos do rap moçambicano, Carlos Guerra Júnior e Janne Rantala, irão participar do “Droppin Science”, evento científico intercultural focado na cultura hip-hop.
Esse evento ocorrerá na University College Cork, na cidade de Cork na Irlanda entre os dias 23 e 26 de maio. Janne e Carlos já escreveram sobre a música rap de várias cidades moçambicanas, nomeadamente Beira, Chimoio, Maputo e Quelimane.










