Nosso Jazz em 4 ritmos diferentes
Por: Izidro Dimande
Luz, som, acção! Música. Do palco desciam fios para globos de luzes, ora brancas ora vermelhas. Moisés Manjate foi-lhe recordado em palco pelo seu descendente Deodato Siquir.
A música com mensagem realçando – não viva de medo irmão (não sei ao certo o título) – contou com o mesmo elenco em palco, três coristas, um saxofonista, um tarolista sentar por cima do instrumento, semelhante, mas em forma de caixa, um na viola, um no baixo, um no contrabaixo, um pianista.
Foi a música de exaltação de alegria que recordou Arão Litsure e Hortêncio Langa, embondeiros desta nossa sociedade musical. Duas figuras que deixaram uma geração em transmutação, hoje, na evolução melódica e no amor pela música dedicam um minuto para amar a música.
Deodato Siquir em uma noite de jazz, sua mutação saiu na VIª edição do Festival Jazz no Franco, para um ritmo próprio, mas de aspecto importante do jazz, o nosso ritmo de jazz, colocando a dança no cenário e no acto. No semblante dos presentes foi possível detectar o significado da dança e do canto, entusiasmados, sentiram o free jazz.
Karen Boswall tocando um saxofone soprano, pula do meio da plateia ao palco, soletrou com afinação em Si Bemol B♭, dando a conhecer partes da improvisação que regularmente, se desenvolve no ouvido para identificar tonalidades, melodias e harmonias, o que contribui para uma percepção musical mais refinada.

O octeto metamorfoseou-se para um gospel-jazz (não achei uma definição certa ainda) embalado no silêncio das palmas e delírios. Se a noite era do jazz como descrevia o cartaz, sim, foi, um jazz a nossa característica moçambicana que ninguém poderá neste tempo recusar que temos um estilo próprio de cantar e tocar jazz.
Se o jazz é um dos gêneros responsáveis pelas mais sensacionais formas de expressão musical, Deodato Siquir foi até aquela noite o músico que cantou jazz sem um baterista em Moçambique, sobre a beleza do palco e do branco vestido pela banda, cravado no fundo uma imagem de gravuras em círculo de mãos dadas sob um rio em vias de seca, uma planície morta de vegetação, a preto e branco. Uma união de nações africanas à espera de uma glória na caça, pesca, agricultura. O som de tambores distantes, ou seja, jazz de Deodato Siquir apresentado na sala grande e cheia, tonificou o ritmo sincopado.
Foi a hora mais clara da noite em que ouvimos jazz. Mas o nosso jazz expressou-se nos filhos dos músicos Gove, Chitsondzo e outros, os Fearless Souls, uma banda moçambicana de Jazz-Fusion cuja sonoridade é influenciada pela música tradicional e folclórica de Moçambique, bem como pelos mais diversos géneros musicais.
A banda, para alguns cépticos tem um o Jazz original, como prontuário do ritmo. Qual seria esse original? A minha crítica não vai chegar a essa classificação, é preciso conhecer os diversos tipos que nos são apresentados diariamente. Os Fearless Souls tocaram um jazz a base dos vários anos de ensinamentos e participações, demonstraram para além do canto, o vestuário colectivo em preto, um dres de lazer como se tivéssemos metaforicamente apanhando uma injecção de oxítona para acelerar o júbilo musical.
E sem o bizz de sempre o octeto e o quinteto abandonaram os palcos, com a mesma promessa de um dia regressarem. Onde? Ninguém soube e ficará em nossa memória a procura de uma resposta. Em surdina de murmúrios abríamos a mente para descrever os The Brother Moves On.
Primeiro o vestuário: tirando o vocalista, o baterista, o pianista (teclado), o baixo com 6 cordas usado em estilos de música que requerem um alcance mais amplo, o saxofonista com acabamento em Gold lacquer, de teclas poliéster emitindo um Fá alto, F frontal e o guitarrista, andaram no palco de tronco nus, nos membros inferiores colantes de diversas cores, sapatilhas fora da moda. Um adorno de vestuário cómico que nos obrigou a concentrar a musicalidade transmitida, como se fossemos arranhas sem pescoços, firme estivemos apreciando os jovens irmãos.

Esta apresentação é típica da banda desde a sua criação em 2010, como um conjunto de artes performativas sul-africano, os membros principais e artistas convidados pela banda, assumem vários papeis combinando narração de histórias, teatro, desenho, vídeo e instalações com experimentos. O vocalista de manto preto, calçava pantufas de noite. Os Jovens irmãos com movimentos bucais produziam sonoridades com harmonia, os instrumentos executados em uma fusão transatlântica afrocêntrica futuristicamente antiga que destruiu o tradicional jazz original dos espectáculos americanos.
Soube de uma conversa barulhenta no palco que tive com Paulo Chibanga, que esteve em algum ano da criação da banda com os The Brother Moves On a trabalhar em um projecto, foi hilariante ver naquela escuridão o brilho de alegria nos olhos de gato do Chibanga, ao rever os jovens anos depois com aquela mestria, depois do The Golden Wake primeira EP de 2012 não masterizado, que conta a história fictícia de um jovem aldeão sul-africano, ser masterizado em 2015 e mostrou a mudança de uma banda “Do It Yourself” para um colectivo de arte.
Estava definido o sucesso dos irmãos no palco do franco e de Moçambique, um país que passaram por 4 espectáculos, com promessas de regressarem à terra que os recebe de braços abertos sem contextualizações sobre o que é o jazz que cantam.
Triste da crítica é não ter visto Frank Paco, não sou um castrador!







