Três gerações em uma noite de março alusivo a mulher

Por: Izidro Dimande

A filha da diva da dança e voz, a mulher que deixou o nome patente no auge da cultura nacional, Tanya Chongo, entrou tímida naquela noite de sua primeira aparição no Centro Cultural Franco – Moçambicano às 20h10 minutos. Em um evento com o propósito de exaltar o mês comemorativo das mulheres de todo o mundo. 

O cartaz colocou Tanya Chongo, Elvira Viegas e Rosália Mboa, três gerações que tem encantado milhares de apreciadores desde os tempos da década 80, 90 e 2000, a Elvira ocupou a posição matriarcal do espectáculo, coube a função de orientar a Tanya os ditames do que seria cantar para mulheres de várias gerações na bancada, mulheres que estavam acompanhadas de vários parceiros e que precisavam ouvir mensagens de amor e espanto. 

E foi essa a missão realizada como mandam as praxes tradicionais.  bastou um raio ancestral da mãe Zaida Chongo, para que o delírio e encanto tomasse nota do palco. Com músicas de exaltação a boa convivência entre as pessoas de sexo oposto, Tanya Chongo recorria a gestos de dança cativante. Nas 5 apresentações sempre com realce ao fim da prostituição, ao fim do adultério, ao fim da preguiça feminina, ao fim das várias pinturas rupestres que desfilam pelo nosso país. 

A miúda, a Tanya Chongo, recordou-nos dos passos do casal Zaida e Carlos Chongo quando enchiam qualquer evento dentro e fora da capital das artes culturais Maputo, sem a sua dupla, seu irmão, não se deixou intimidar ao rubro dos gritos em coros dos mais de 600 convidados em aplausos na sala grande de eventos do CCFM. A dupla de irmãos continua palmilhando uma sabedoria exímia. Cantou suando o perfume negro na noite fresca daquela que é considerada a melhor casa de demonstrações culturais do país.

Saiu para dar lugar a tia Elvira Viegas, parabenizando sua sobrinha de palco, Elvira gesticula passos antigos da Tanyia, chamando nossa atenção a sua beleza ainda presente, não só escondida naquele par de óculos de vista, mas sim no adorno do seu corpo. Elvira Viegas não se deixou perturbar no palco, deu continuidade ao êxito de cartaz. Levando não só mulheres nas bancadas, mas sim os homens ao compasso da música. A mensagem estava lá e houve alegria em transmitir um novo começo para quem está em tristeza, a mensagem ficou gravada para quem foi rever a diva Elvira Viegas, como mensageira das causas fantásticas. 

Há uma geração de público neste país, quando o cartaz musical é da geração 8 de março, não aquela geração de políticas, a geração que o público glorificou-se no momento, exaltou-se a música das três mulheres, cantou-se, fez-se um retracto para a prosperidade memorial e histórica. 

Foi agradável ver e ouvir canções passadas no nosso Xirico patene no Museu da Rádio Moçambique. Este público sabe preservar a nossa cultura que é daqui ou dali, não é um público com estereótipos classificados pelas redes de telecomunicação. Um público que tem compaixão pela vida artística. 

Rosália Mboa, na mesma faixa etária de sempre, literalmente, colocou a voz no mesmo tom das suas músicas populares, o entusiasmo dos presentes estava em ebulição, com o calor da noite em êxtase nos corpos, gritavamos o passaporte, tudo que voa vem para baixo, tentando chegar às centenas de graus em minutos na câmara de combustão da caldeira, acompanhando o amor preenchido pelas mulheres em maioria de assistência.

E assim foi mais um concerto apresentado pelo CCFM com pompa e circunstância, um evento que deixou-nos aberto ao interrogatório, ao contemplarmos o trio na homenagem última à rainha Zaida Chongo.

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