Por que o download de música ainda está longe de acabar em Moçambique?

Há alguns anos, os músicos reclamavam da pirataria de música, através de discos falsos e, com o tempo, muita luta e desenvolvimento tecnológico, este fenómeno foi diminuindo. Com esta forma de pirataria, havia um grupo de pessoas que pegava em músicas alheias, colocava em discos e vendia a preços de banana, sem os autores ganharem um tostão, mas apenas visibilidade, pois havia muitos compradores/consumidores e, consequentemente, as obras acabavam por ficar mais populares ou próximas do público.

Para acabar com essa pirataria foi necessário muito tempo e um trabalho de consciencialização que os artistas, apresentadores e radialistas faziam para o público não comprar, bem como para os “pirateadores” pararem com esta prática nociva à nossa música.

Os blogs/sites de downloads de Música em Moçambique

Anos depois, a internet começa a ganhar espaço em Moçambique e nasceu uma nova forma de pirataria que era promovida pelos próprios artistas: download gratuito. Na verdade, não sei se até aqui posso chamar de pirataria, porque os próprios artistas é que enviavam as músicas para os blogs disponibilizarem as suas músicas de forma gratuita. Arrisco a dizer que “os blogs contribuiram para o sucesso de muitos artistas”, porque as pessoas baixavam as músicas e começaram a partilhar uns com os outros via celular, flash (USB) e computadores, tornando as mesmas “virais” dentro e fora da internet. Quem não lembra do Music Crib, Música Fresca e companhia limitada…?

Nessa altura, o mundo assistia o crescimento de plataformas de streaming de música, nas quais os artistas ganham quando os usuários escutam os seus trabalhos, mas esta realidade ainda estava longe de se estabelecer em Moçambique. Alguns artistas até começaram a disponibilizar as suas obras nestas plataformas, contudo, eram especialmente voltadas para os seus fãs de fora, porque aqui tínhamos um problema ou desafio: literacia digital e pagamentos online, muita gente não sabia o que é isso e os bancos também não facilitavam. Desta forma, se os moçambicanos não usavam plataformas digitais, os artistas não tinham outra opção do que “dar de graça” os seus trabalhos.

Plataformas de streaming em Moçambique

Actualmente, com o crescente número de usuários de smartphones,  pagamentos onlines em diversos serviços, já há um certo tipo de público que usa plataformas de streaming para escutar músicas moçambicanas (quando estão disponíveis) e estrangeiras, que já não é fácil achar na internet para baixar. Este público pode ser a minoria, mas temos que admitir que o cenário mudou e muitos artistas já disponibilizam as suas músicas apenas nas plataformas digitais.

Mas enquanto disponibilizam as suas músicas nas plataformas digitais, os artistas também enviam para os blogs publicarem de borla é só fazermos um raciocínio básico: Entre pagar para ter música e não pagar, o que uma pessoa pode preferir? Se disponibilizassem apenas nas plataformas de streaming e não houvesse outra forma do público ter as músicas, será que não iriam aderir?

Uma coisa boa que aconteceu neste período é que quase todos artistas disponibilizam os seus vídeos nos seus canais do Youtube, mas fico frustrado quando vejo links do MediaFire nas descrições…Afinal, onde queremos chegar? Avançamos ou não?

Já houve tentativas de plataformas de venda de música em Moçambique, tais como Mozik Play (do G2) e M-Toca, que eram bem simples para o nosso público, mas não foram abraçadas.

Com isto, a maioria das pessoas continua a preferir baixar as músicas, porque os músicos disponibilizam ou até vendem pelo WhatsApp, onde o cliente depois pode reencaminhar para milhares de contactos.

Tal como aconteceu com os discos piratas, chegou a hora de dizermos adeus aos downloads grátis nos blogs ou sites.

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Co-fundador do Moz Entretenimento | Copywriter | Licenciado em Publicidade e Marketing pela ESJ